Carreira: como um brasileiro se destaca no mercado asiático

Comercio exterior na Asia
Foto: Reprodução Whitecase

Confira a entrevista exclusiva com um profissional de comércio exterior que trabalha em Hong Kong.

Na segunda reportagem da série ‘Profissões’ entrevistamos o profissional brasileiro de comércio exterior Dimas Bornhausen. Há mais de 3 anos morando em Hong Kong, Dimas se preparou para atuar no mercado internacional. Ele já morou também nos Emirados Árabes Unidos, na França, Estados Unidos e China. O profissional é natural de Santa Catarina e sempre se dedicou muito a sua formação profissional e no aprendizado de línguas. Hoje ele é gerente de negócios internacionais em uma empresa global. Confira a entrevista completa sobre sua trajetória morando fora do país e seus conselhos para quem pretende ter uma carreira internacional.





Dimas Bornhausen
Dimas Bornhausen em Hong Kong

1) Como surgiu a oportunidade de mudar de país? Porque você escolheu Hong Kong?

A oportunidade surgiu através da necessidade da empresa em que trabalhava em enviar um brasileiro para trabalhar juntamente com a equipe da Ásia, que na época era composta apenas por locais. Por se tratar de uma empresa brasileira, identificou-se que uma aproximação maior entre a cultura de trabalho brasileira e a cultura de trabalho asiática seria benéfica à empresa para um melhor aproveitamento dos talentos e gerar assim uma melhor performance da operação da na Ásia como um todo.

Hong Kong não foi uma escolha minha, mas uma oportunidade que me surgiu dentre algumas outras possibilidades em que na época discutia-se. A empresa possuía escritório na China e buscava transferir suas instalações para outro mercado, que fosse de acesso mais fácil para viagens, com livre fluxo de informações (uma vez que na China existem restrições quanto à isso) e regras mais claras quanto à uma empresa estrangeira instalando-se no país. Não foi minha escolha, porém está sendo de longe uma das melhores experiências de vivência no exterior até então. Estar no meio de uma cultura tão diferente e em uma cidade tão cosmopolita e dinâmica como Hong Kong é uma excelente oportunidade de exposição ao mundo, uma vez que aqui existem empresas instaladas do mundo inteiro das mais diversas áreas.

2) Qual o cargo que você ocupa em Hong Kong? E qual sua formação?

Tenho formação na área de Comércio Exterior e atuo na gerência de negócios internacionais.

3) Você já sentiu preconceito por ser brasileiro?

Não, jamais senti algum preconceito. Inclusive as pessoas por aqui na Ásia gostam muito de brasileiros, geralmente quando sabem de sua nacionalidade abrem um largo sorriso e perguntam muitas coisas de nosso país.

4) Qual a dica que você dá para quem quer mudar de país?

A primeira coisa é buscar dominar algum idioma estrangeiro, o inglês de primeira mão. Porém não restringir-se à ele, pois em muitos países (não só aqui na Ásia) o domínio de uma terceira ou quarta língua faz grande diferença. Principalmente quando você vive em uma cidade global, falar inglês já não é um diferencial, mas sim um requisito mínimo onde as empresas pouca dificuldade tem em recrutar talentos que falem inglês fluente.

Importante saber que país pretende-se viver, trabalhar e saber falar um pouco da língua local e se no caso o inglês for a língua local, buscar um outro idioma em paralelo ao Português que seja de valia para aquele país para aumentar suas chances de ter melhores oportunidades de emprego. Outra questão importante é você estar aberto e receptivo ao “novo”, vivenciar todas as diferenças de coração aberto tentando compreender e se ajustar neste novo mundo, neste novo país de cultura e costumes diferentes.

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5) Como é possível competir no mercado de trabalho mundial?

Para competir no mercado de trabalho mundial é preciso adotar uma linha de pensamento global para moldar-se ao mundo e não mais apenas aos moldes de bases locais. É necessário flexibilidade e abertura ao novo, preparação para mudanças, entendimento de outros negócios em áreas fora de sua formação. Quando inserido no mercado de trabalho mundial você passa a competir com profissionais do mundo inteiro, que são tão bons ou mesmo melhores que você. Ou seja, a competição é ainda mais acirrada. Principalmente se você chega em um novo país sem emprego garantido e seu status de imigração atrela-se à um visto de trabalho; você na maior parte das vezes deixará de ser prioridade em muitos dos processos seletivos mesmo que suas qualificações atendam aos requisitos da vaga, unicamente pelo fato de as empresas darem preferência por profissionais locais ou que tenham status que lhes permitam trabalhar sem a necessidade de uma empresa patrocinadora de visto de trabalho. Existem diferentes razões para isso, custos para as empresas ou mesmo limitações quanto ao número de funcionários estrangeiros por tamanho de empresa. Cada país tem suas regras com relação à isso. Porém é possível e há muitos brasileiros espalhados pelo mundo inteiro trabalhando nas mais diversas áreas.

grupo-FBTentar buscar formas de diferenciação que valorizem suas qualidades como profissionais para atrair atenção de empresas que necessitem de profissionais com tais habilidades e experiências pode ser uma das alternativas. Há muitas empresas brasileiras instaladas mundo afora, assim como há muitas empresas estrangeiras fazendo negócios com o Brasil. Tente descobrir estas empresas pois suas chances serão maiores nestas empresas, onde sua nacionalidade, idioma mãe e cultura em si o tornam um candidato mais propício para conseguir uma vaga de emprego e conquistar seu diferencial frente a grande competitividade do mercado de trabalho.

6) Qual o maior desafio da sua carreira?

Aprender a lidar com as diferenças. No Comércio Exterior você lida com o mundo; com pessoas das mais diferentes culturas, comportamentos, formas de viver e trabalhar; então como um profissional desta área você precisa buscar mecanismos que lhe permitam absorver estas diferenças da melhor maneira, a fim de que elas venham para agregar e tornar você uma pessoa melhor.

7) Qual a maior alegria que você já viveu no exterior?

Foram muitas, difícil encontrar uma única que possa representar todas elas. Mas algo que me deixa muito feliz é receber a visita de familiares e amigos, que para mim é uma forma de compartilhar um pouco mais das oportunidades que a vida me deu e me dá. Poder dividir um pouco do meu dia a dia e inseri-los nesta diferente cultura, para que eles aprendam também a lidar com estas diferenças dando a chance de conhecerem e aprenderem algo novo para tornarem pessoas mais preparadas e melhores é algo muito gratificante para mim.

9) É possível um brasileiro ser referência profissional na China?

Sim, é completamente possível. Conheço muitos casos de sucesso, onde amigos, colegas e conhecidos que além de bons profissionais, se tornaram líderes de grande prestígio no mercado Asiático. O brasileiro tem como característica ser alguém esperto, ligado, sociável e de senso crítico, bons em buscar soluções à diferentes problemáticas. Estas características se usadas da maneira correta e de maneira profissional e ética, podem ser muito favoráveis ao seu desenvolvimento por aqui na Ásia.

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