Morar fora: driblando a saudade

Aprendendo a driblar a saudade
Foto: Reprodução Quotesgram

Nós que jogamos na seleção ‘do resto do mundo’ somos verdadeiros craques quando o assunto é saudade.

A saudade não nos larga, não dá descanso, não tira folga. A maldita da saudade é inoportuna, é desaforada e mal educada ao extremo. Ela teima em aparecer e se meter onde não é chamada. Chata. É assim mesmo no campo de jogo e no campeonato dos que moram fora, nosso maior adversário é a porcaria da saudade.






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A Saudade é Vingativa

Porém, eu é que não sou maluco de ficar xingando a saudade à toa, pois ela é vingativa e cobra um preço bem alto de quem a trata com desdém. Mesmo que o nosso treino seja diário, quando a bola da vida rola, a saudade parece o time da Alemanha na Copa do Mundo de 2014 no ataque contra a defesa do Brasil. É ruim de dar conta, é difícil não tomar de goleada. É um 7 a 1 todas as semanas, é um monte de gol por vez e é de matar.

Quem é Bobo?

Mas nós também não somos bobos e o nosso coração foi se tornando resistente aqui fora. Nós aprendemos a jogar futebol com aquelas bolas de couro recheadas com areia e para nos derrubar é preciso muito. Somos duros na queda, quase nada nos tira o chão ou faz desaparecer o nosso ânimo. Quem vive fora aprende a levar porrada da saudade. Vive um dia de cada vez, valoriza os pequenos gestos e aprende a valorizar momentos.

Técnicas para Driblar a Saudade

Eu, por exemplo, desenvolvi algumas técnicas para driblar a saudade. São quase que de guerrilha e me ajudam muito no combate a saudade. Uma delas é evitar, até onde o destino e a vida permitem, me relacionar com pessoas que tem data para partir. Não por nada, só por estratégia de defesa mesmo. Sou discreto, mas faço questão de perguntar se a pessoa pensa em voltar e quando. Dependendo da resposta invisto ou não na amizade.

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Intensidade Alta

Como tudo por aqui costuma ser muito intenso, quando começamos uma amizade com quem tem prazo para voltar, ficamos destruídos quando chega sua partida. Quem vai, muita vezes nem consegue perceber a nossa queda, pois está ansioso e afobado com a volta. Porém, nós que ficamos temos que enxugar lágrimas, respirar fundo e tentar tocar a vida. Não é fácil encontrar o trilho depois de abraçar alguém uma última vez no aeroporto. É muito dolorido e eu não conheço ninguém que se acostumou com isso por aqui.

Morar Fora é Isso

A vida de quem mora fora é assim. É intensa, cheia de dificuldades, pessoas chegando e partindo a todo o instante, vidas que se organizam, vidas que parecem inorganizáveis. Viver no exterior não é para qualquer um e a cada dia que passa tenho certeza de que alguns corações não foram programados para aguentar o tranco que a saudade costuma dar. E pensa num tranco forte. Haja coração.

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*Cláudio Abdo publica textos sobre a experiência de morar fora todas às segundas e quintas aqui no site Vagas pelo Mundo. Volte Sempre!