Morar fora: criando referências

Morar fora e criar referencias
Foto: Reprodução Commonswikimedia

Talvez a coisa mais importante que acontece quando se vive em outro país é a criação constante de referências.

Quando moramos fora, criamos referências a cada esquina dobrada. Parece que vivendo em outro país, a máquina de criação de novas referências da sua vida funciona a pleno vapor e não liga se existe ou não estoque para armazená-las ou prateleiras para expô-las. Não fica um milésimo de segundo sem lhe mostrar, e esfregar na sua cara, uma nova referência, um novo jeito de ver a vida, de sentir as coisas, de pensar, de agir, de ser.





Método de Comparação

Todo mundo, por natureza ou forçadamente, faz comparações. Já disseram por aí que “comparar é inevitável” e parece uma verdade. Quem já terminou um namoro, fez comparações. Quem já mudou de emprego, fez comparações. Quem já trocou de carro, fez comparações. Com quem já foi viver em outra cidade ou país é a mesma coisa, porém em uma escala mais acelerada e com uma intensidade de tirar o fôlego.

Porém, para que exista um meio de se fazer comparações, é preciso se permitir uma nova experiência. Talvez aqui esteja o segredo de tantas referências e comparações que são feitas quando moramos fora. É tudo diferente, tudo. Em alguns países os carros andam do lado oposto, as pessoas almoçam às duas da tarde, o inverno é rigoroso, o animal típico é o canguru, o hambúrguer é patrimônio. O mundo é grande demais.

Experiências

Cada um vai ter uma experiência diferente vivendo fora. Para uns será o martírio da vida, para outros o melhor momento de sempre. Vai de cada um, de você, de mim. Somos diferentes e ponto final, porém em relação às referências que criamos, essas sim são muito parecidas. É o sistema de transporte integrado que não existia na sua cidade de antes, é o preço das coisas no supermercado, é o clima, é o gosto da comida entre tantas outras coisas.grupo-FB

Comparando sem Parar

Se você optou por passar só um tempo ou o resto da vida morando fora, pouco importa. É uma viagem sem volta, você vai de um jeito e volta (se voltar) de outro. Não tem jeito e já lhe aviso: não quer mudar?! Não saia de casa. Jamais. Há uma forte tendência de que, com os novos métodos de comparação que você vai criar, você fique com algumas críticas na ponta da língua, não aceita o mundo como ele sempre foi, porque ele pode ser de uma outra maneira.

Comparar é Bom

Bom não, é maravilhoso. Criar referências para depois fazer a comparação é a melhor coisa que acontece na vida de quem decide morar fora. É uma evolução muito perceptível, todos vão notar essa mudança em você, não tem jeito. Quando descobrimos que existem outros mundos dentro desse nosso mundinho, mudamos. Mudamos para melhor, crescemos, nos tornamos fortes, afiamos nossos olhos e ouvidos, não nos damos por satisfeitos.

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Vá, Vá para o Mundo Comparar

Que chata deve ser a vida de quem não cria, e não oportuniza que se criem, bases de comparação. Gente que não viaja, que não experimenta, que não arrisca. Que almoça sempre no mesmo restaurante, que vai sempre para o mesmo destino no verão, que trabalha num lugar ruim e tem medo de mudar. Que saco. Olhe para a sua vida e veja quanto tempo você já perdeu nisso, se perceba, se note.

Encha o peito de coragem, se olhe no espelho e tente encontrar você. Talvez não seja possível da primeira vez, mas tente outra vez. Uma hora dessas você vai conseguir e depois disso vai arriscar mais. Comece amanhã ou hoje mesmo. Almoce em outro restaurante, mude de destino no próximo verão, mande currículo para a empresa onde sonha trabalhar, faça o curso de gastronomia que sempre teve vontade, vá morar fora por um tempo ou para sempre.

Se permita criar referências, se permita ter bases de comparação. Saia da sua zona de conforto, sinta medo, fique com a ansiedade à flor da pele, viaje para um país estranho, tente falar outra língua. A vida é tão curta, tão rápida para ser sempre a mesma coisa. Quem sabe a gente não se encontre por aí, numa dessas esquinas da vida onde estejamos criando nossas referências?!

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*Cláudio Abdo publica textos sobre a experiência de morar fora todas às segundas e quintas aqui no site Vagas pelo Mundo.