Morar fora: ou você muda ou você volta

Foto: Reprodução Pixabay
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E mudar gera desconforto, tira o sono e faz querer desistir.

Quando a gente vai morar fora, a gente é de um jeito. Estamos moldados na sociedade em que vivíamos, temos manias e cacoetes que, na vida longe de casa, aos poucos vão mudando. Vão mudando porque se tais manias e cacoetes não deixarem de existir logo, nós não iremos aguentar. Saímos da lata, nos libertamos. Somos, de uma hora para outra, forçados a entender que o mundo é muito maior do que um dia a gente ousou pensar, que no mundo não existe espaço para quem pensa pequeno e que morar fora é para gente grande. Grande na coragem, grande no espírito e, acima de tudo, grande na vontade de mudar.





Você vai mudar, nós mudamos

Não é uma opção, é obrigação. De repente a gente precisa mudar, precisa abandonar velhos hábitos, precisa se abrir, precisa se apaixonar, precisa se permitir. Morar fora exige de nós uma maturidade monstra, nos obriga a aprender a perdoar os outros, a conviver com outras culturas, outras religiões, outras cores, novos sabores. Aquilo que tínhamos, não temos mais e vamos percebendo que éramos tão pequenos, que nosso pensamento era, muitas vezes, mesquinho e que mais vale comer sanduíche num país novo do que um banquete naquela vidinha medíocre de sempre.

Leia também — Morar fora: é de chorar de saudade.

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Só de partir, queremos mudar

Não pense que mudar é difícil e se olhe. Pare por cinco minutos e permita se enxergar. Você já fez o que a maioria das pessoas não têm coragem, você já teve que resumir a sua vida em duas malas, você teve que se despedir das pessoas que ama, teve que enfrentar o novo, teve que fazer novos amigos, “amar” novas pessoas e você já percebeu que ter muita coisa não vale a pena e que ser alguém que viaja e tem um repertório de paisagens, pessoas, cheiros e sabores é o que interessa nessa vida. Você mudou ao partir, mas precisará mudar ainda mais e, caso não faça isso, vai voltar. Vai voltar porque partir é complicado, mas ficar é coisa rara e difícil. Aqui fora, os fracos não têm vez.

Leia outro texto — Morar fora: a felicidade não está lá fora.

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Muitos partem, mas poucos aguentam

Eu conheço muitas pessoas que decidiram que morar fora era a melhor coisa a se fazer e foram. Foram para o Canadá, Austrália, França, Moçambique, Reino Unido, Japão ou sei lá pra onde. Chegaram, tentaram se adaptar, mas por não aceitar que a mudança era inevitável, voltaram. Não estou falando da mudança de cidade, de estado ou de país, me refiro a mudança de comportamento. De deixar de ser quem era, de buscar ser uma nova pessoa, de se encontrar nessa nova pessoa, de saber administrar todos os milhares de conflitos que isso gera. Muita gente parte, mas é uma parcela muito pequena que aguenta o tranco da nova vida.

Mudança traz Desconforto

Mudar é chato, mudar cansa. Só quem já teve que embalar a casa toda e enfiar tudo em um caminhão sabe o que estou dizendo. Acontece que a mudança de casa, de cidade, de estado ou de país é fichinha perto da mudança pessoal. Deixar de ser quem você era, deixar de pensar como uma pessoa que não tinha referências, permitir que a experiência de morar fora seja completa gera desconforto. Uma mudança de lugar e uma mudança de espírito consomem muita energia, são capazes de nos fazer sofrer. Encarar o novo de peito aberto pode ser o pior dos pesadelos, especialmente se você sempre buscou a zona de conforto.banner-quadrado-autoor

Mude ou Volte

Simples como isso: ou você muda ou você vai voltar. Vai voltar porque existe um imã na nossa zona de conforto que sempre vai nos atrair pra lá. Vai voltar porque a casa da nossa mãe pode ser o melhor dos refúgios, vai voltar porque a pessoa que a gente ama vai fazer joguinho e jurar um amor que, talvez, nem exista. Vai voltar porque é mais fácil voltar do que mudar, vai voltar porque é muito mais fácil continuar sendo quem você sempre foi, vai voltar porque morar fora exige estômago forte e cara dura. É tanta porrada, tanto soco na cara, que voltar é (e sempre será) a melhor opção.

Porém, você pode vencer tudo isso e decidir que você não é igual a maioria. Você pode se enfrentar, você pode se desafiar, você pode (e vai) mudar. Mude agora, aceite que mudar é a melhor opção, se permita crescer. Esqueça, nem que por um minuto, o que você já teve e foque no que você ainda não possui. Corra atrás, mantenha a cabeça erguida e batalhe muito, mas muito mesmo. A recompensa virá e você vai perceber que ter saído da zona de conforto foi a melhor coisa que você pode ter feito em toda a sua existência. Pode crer!

ATENÇÃO: os textos de Cláudio Abdo publicados aqui no site Vagas pelo Mundo viraram um livro (com inéditos). Caso você queira um exemplar autografado e com uma dedicatória exclusiva do autor, envie um e-mail para: vagaspelomundo@gmail.com | Assunto: LIVRO. Nós lhe enviaremos todas as informações. Corra que os exemplares são limitados!



  • Rafael

    O texto é bacana, mas descordo em alguns pontos. Deu a entender que é obrigação de todos mudarem, caso queiram crescer e evoluir. Ficou parecendo que tais pessoas que não mudam, irão morrer ignorantes e sem perspectiva. Nunca fui para fora do Brasil, mas tive que me mudar para ter acesso a um ensino que minha cidade não ofertava. Mudei em muita coisa, amadureci, porém minha essência continua a mesma e futuramente pretendo e irei voltar. Não acho que morar perto das pessoas que você cresceu é ficar na zona de conforto. Conheço pessoas que passam a vida tentando mudar, buscando algo que nunca irão encontrar.

  • Roberta C. Sousa Souza Soares

    Entendo sua reflexão, mas acredito, muito mais que é a sua forma de negação, é a sua forma de não querer aceitar que o melhor muitas vezes é voltar.
    Do que adianta mudar ? Quando não se gosta do que se torna… Voltar também é certo assim como continuar ! ! Desde que você esteja feliz consigo e com o resultado de suas escolhas.
    Não gostei do seu texto, não espero que goste do meu ponto de vista. Mas lhe desejo sucesso.

  • Ilma Madureira

    Bom dia. Excelente e verdadeiro texto. Graata

  • André G

    Discordo do texto em partes. Eu sou brasileiro, estou fazendo intercâmbio na Austrália e pretendo voltar ao Brasil pois sinto que meu lugar é lá.
    A Austrália é realmente fantástica, a segurança aqui é um ponto excelente e sei que sentirei saudades dessa segurança quando voltar ao Brasil, mas eu nunca fui roubado lá e mesmo que fosse, geralmente são apenas furtos de celular e o preço de um celular não é muita coisa.
    Eu moro longe dos meus pais desde 2010, já ralei muito mesmo estando no Brasil, não sou igual muitos que saem da vida boa e vem ralar pela primeira vez aqui na Austrália.
    Eu me adaptei muito facilmente a Austrália, não precisei mudar muito, eu mudei muito mais quando saí do interior para morar em São Paulo, aprendi muito mais e ralei muito mais em São Paulo do que aqui.
    Minha vida está muito pacata em Brisbane, não tenho desafios, não tenho como crescer profissionalmente, não posso trabalhar com o que gosto e não tem muita coisa pra fazer no geral.
    Sei que o Brasil está em crise, mas eu tenho muitos contatos por lá e já tenho um currículo razoável, currículo esse que aqui na Austrália não vale nada.
    Se fosse para mudar para viver aqui na Austrália, eu sinto que teria que mudar para pior, ser mais preguiçoso, menos esforçado, menos exigente e aturar reclamação de patrão burro. Meus chefes no Brasil eram exemplos a serem seguidos, os que tive aqui eram umas mulas! É horrível receber ordens de pessoas sem instrução.