Morar fora: que subemprego o quê?

Que subemprego o que
Foto: Reprodução Pixabay

E daí que eu preciso lavar algumas privadas para realizar o meu sonho?

Há alguns dias vi alguém dizendo que jamais trabalharia no Mc Donald´s porque “se fosse para encarar um subemprego” era preferível ficar onde está. Aquilo mexeu muito comigo e lembrei que, assim que comuniquei as pessoas próximas de que estava de partida, ouvi a seguinte frase: “Se todos os brasileiros como você, que falam em deixar o país por causa da insegurança, política e etc. forem para o exterior, vai faltar privada para ser lavada mundo afora!”. Independente da idiotice, ignorância e soberba que tal frase possua, a cada conquista aqui fora estas palavras teimam em ecoar na minha mente.





Deixando a arrogância de lado

Aprendi morando fora (e até antes de partir) que arrogância e aventura não combinam muito, aliás permita-me fazer uma correção no que eu acabei de escrever: arrogância e saída da zona de conforto são coisas antagônicas e que não se relacionam. Digo isso porque muita gente prefere ficar onde está, justamente por não ter a coragem necessária para recomeçar e sim, é necessário ter uma coragem absurdamente absurda para jogar tudo para o alto e partir para o novo.

Ah, e antes que eu esqueça, aquela coisa de “eu só preciso encontrar um excelente emprego para largar tudo aqui e partir” NÃO EXISTE. O tal do emprego excelente não existe e quem faz o emprego ser excelente é você e mais ninguém. Eu conheço pessoas que trabalham em multinacionais, ganham bem, estão profissionalmente no topo, mas que são extremamente infelizes, ou seja, pouco importa onde você trabalha e quanto você ganha, pois isso não significa possuir um atestado de felicidade e realização no bolso.

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É necessário ter objetivo

Um passo importante a ser dado no processo de saída do nosso país de origem, é colocar a arrogância num saco de lixo e jogá-la fora. Recomeçar exige, muitas vezes, que a gente volte algumas casinhas no jogo da vida. Muitas vezes será necessário deixar de ser professor e voltar a ser aluno, deixar de ser o dono da empresa para se tornar empregado, deixar de ter carro novo e andar de ônibus, de bike ou a pé. Sem problemas.

Por isso que, se você ainda não foi morar fora, é melhor ter muito bem definido um objetivo para partir. Ir por ir pode fazer com que esses passos atrás que a vida nos obriga a dar morando fora, especialmente no começo da caminhada, seja capaz de nos fazer voltar. Caso você já tenha ido e ainda não tenha uma definição clara do que esteja fazendo aí, provavelmente lavar umas privadas esteja acabando com você. Morar fora é enxergar longe, é vislumbrar o futuro vivendo o presente de maneira intensa e corajosa.

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Que subemprego o quê?

Trabalhar no Mc Donald´s pode não ser o meu sonho, mas tenho total respeito por quem entende que passar um tempo fritando batatinhas ou hambúrgueres pode ser a solução para dar conta do aluguel naquele momento, economizar alguma grana para viajar, pagar o curso de inglês ou a faculdade. Sinceramente acredito que, quando a gente parte para um novo país, trabalhar em uma lanchonete pode ser exatamente o que a gente precisa para praticar o novo idioma, fazer amigos, conhecer pessoas, ter uma experiência diferente e perceber que isso vai nos ajudar a crescer.

Voltando ao início do texto lhe pergunto: e se eu precisasse lavar privadas durante algum tempo para realizar o sonho que eu sempre tive de viver no exterior? E se lavar privadas nos Estados Unidos, na França, no Reino Unido, em Portugal, na Austrália ou em qualquer país do mundo me desse a oportunidade de pagar minhas contas de maneira digna, sem precisar pedir dinheiro ou ajuda para ninguém? Que mal isso teria? — com isso não estou afirmando que “vale tudo” para morar fora, porque não acredito nisso. Só acho que ter e manter aquele pensamento de que só algumas profissões e trabalhos são honrados não irá ajudar em nada e, muito menos, facilitar as coisas.banner-quadrado-autoor

É preciso mudar para se mudar

A gente precisa mudar para se mudar e digo isso porque aqueles velhos paradigmas que teimam em se perpetuar precisam ser deixados de lado. Trampar na lojinha do imigrante que chegou antes de você, mas que paga o seu salário, respeita as leis e os seus direitos e está, de alguma forma lhe ajudando, não é feio. Trabalhar em uma obra, servir uma mesa, lavar um carro, dirigir um caminhão ou sei lá qual trabalho você esteja fazendo aí no país onde resolveu viver não é feio não.

Feio mesmo é não partir para realizar os sonhos por medo de recomeçar. Feio é ver a vida passar ao lado por receio de ter que lavar uma privada e porque é sempre mais fácil continuar onde sempre estivemos. Morar fora é se renovar, morar fora é encarar novos desafios, morar fora é mudar e quebrar velhos paradigmas. Se você recém bateu suas asas, já vive fora e ainda não trabalha naquilo que sempre sonhou aí no seu país, não desanime. O começo é muito difícil mesmo. Mantenha o foco nos seus objetivos e tente sempre recordar o que lhe fez chegar até aí, pois com certeza um dia ainda daremos muitas risadas disso tudo e teremos histórias e experiências incríveis para contar. Será que os que ficaram também terão?! Veremos.

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  • Vagas pelo Mundo

    Olá Barbara, muito obrigado pelo comentário.
    Concordo com você, pois aqui em Portugal e acho que em qualquer país do mundo, se a gente não tiver um objetivo e um foco, poderemos passar fazer com que uma coisa que era para ser provisória se torne permanente.
    Isso que você falou sobre a felicidade, escrevi um texto e lhe convido para ler: http://vagaspelomundo.com.br/morar-fora/2017/08/morar-fora-a-felicidade-nao-esta-la-fora/
    Mais uma vez muito obrigado por comentar e lhe desejo toda a sorte e sucesso do mundo aí na Itália.
    Um grande abraço!
    Cláudio

  • Vagas pelo Mundo

    Eu que lhe agradeço por ter lido o que eu escrevi e pelo comentário Samuel. Fico muito feliz em saber que, de alguma maneira, o que escrevo serve para motivar alguém. Espero que tudo aconteça da melhor maneira na sua vida, pois pelo pouco que você contou isso já vem acontecendo.
    Um grande abraço!
    Cláudio

  • Oi Claudio,
    Entendo que todos os trabalhos são dignos, mas a gente muda para melhorar as condições de vida, não para piorar. Em países como a Itália, se você não tiver um plano, vai começar trabalhando no Mc Donald’s e vai morrer trabalhando no Mc Donald’s. O temporário pode durar muitos meses, anos, uma vida. Acho que mudar de país requer planejamento, estratégia. Ninguém ganha prêmio no final por ter sofrido mais, então é melhor trabalhar um pouco mais no planejamento e fazer tudo com mais conforto. Além disso felicidade é uma coisa muito subjetiva. De repente a pessoa chega aqui e vai continuar não sendo feliz porque felicidade vem de dentro, não de fora.
    Em 2011 escrevi esse texto, mas acho que continua válido: https://trabalhonaitalia.com/eu-aceito-qualquer-trabalho/ Aproveito para dizer que gosto bastante do seu site e é sempre bom poder trocar ideias e opiniões. Saudações da Toscana, Barbara

  • Samuel T. Ferreira

    Bem, tenho o sonho de ficar fora por um tempo e sair da zona de conforto.
    Aconteceu isso comigo…. Sou filhos de pais analfabetos e produtores rurais do interior do ES. Sai cedo de casa e me virei numa cidade maior para estudar e conquistar uma estabilidade… Eu tenho essa estabilidade, mas é muito pouco e não estou feliz… quero mais.
    Obrigado pelo texto… muito motivador.
    Sobre lavar privadas ? eu lavo.. já fiz isso antes e não me envergonho de trabalho digno.

  • Vagas pelo Mundo

    Olá Fabinho!! Claro, pode sim. Grande abraço! Cláudio Abdo

  • Fabinho Produções

    Adorei o texto. É incentivador. Posso citar alguns trechos colocando a Fontes quando eu publicar?