Netweaving
Netweaving livro – Foto divulgação: Raquel Gillioz, autora.

Conheça o Netweaving, que transforma o networking tradicional em conexões humanas autênticas. Confira a entrevista com a escritora e mentora brasileira Raquel Gillioz.

A vida no exterior é, por natureza, um exercício de reconstrução. Para os milhões de brasileiros que vivem fora do país, o desafio de estabelecer uma nova rede de contatos vai muito além da entrega de um currículo. Trata-se de encontrar um senso de pertencimento em terras estrangeiras. Nesse cenário, o tradicional “networking”, muitas vezes visto como uma troca fria e transacional de favores, tem dado lugar a uma abordagem muito mais profunda, humana e resiliente: o Netweaving.

Diferente da busca imediata por vantagens profissionais, o Netweaving foca na criação de relações baseadas na confiança e na generosidade. Para quem vive longe, essas conexões tornam-se o sistema de suporte vital que substitui a família e os amigos que ficaram no Brasil. É a transição do “o que você pode fazer por mim” para o “como podemos crescer juntos”, uma mudança de mentalidade essencial para navegar em mercados de trabalho competitivos e sociedades culturalmente distintas.

O conceito ganha força em um momento de hiperconexão digital, onde, paradoxalmente, o isolamento social e profissional atinge níveis recordes. O Netweaving surge como um antídoto para a solidão do imigrante, propondo que a força de uma trajetória internacional não reside apenas na competência técnica, mas na qualidade das “pontes” que se constrói. Ao tecer redes com autenticidade, o brasileiro no exterior deixa de ser um indivíduo isolado para se tornar parte de um ecossistema colaborativo e potente.

Para entender como essa filosofia está sendo aplicada na prática, conversamos com Raquel Gillioz, mentora e autora que vive na Suíça há duas décadas. No lançamento de seu novo livro, ela detalha como a arte de conectar pessoas com propósito pode não apenas acelerar carreiras, mas transformar vidas. Confira a entrevista exclusiva abaixo:

Netweaving: entrevista com Raquel Gillioz

Brasileira que mora na Suíça lança livro sobre rede de relacionamento para brasileiros onde traz uma nova visão sobre confiança, pontes e autenticidade. Entrevista com Raquel Gillioz, brasileira, mentora para líderes em (R)Evolução e design de conexão humana, autora do livro Netweaving lançado em novembro de 2025. Raquel mora na Suíça há mais de 20 anos.

1. Como surgiu a ideia de morar fora e quais os seus maiores aprendizados como imigrante?

A ideia de morar fora surgiu como um chamado. Não foi impulsiva, mas uma decisão consciente e intencional, movida pelo desejo de expandir horizontes, atravessar fronteiras e me desafiar a crescer pessoal e profissionalmente.

Foi nesse caminho que encontrei minha primeira mentora e hoje também querida amiga, Sonia Cumani Chicrala, uma mulher forte que compartilhou comigo sabedoria e experiência, oferecendo feedbacks construtivos, apoio, escuta ativa e, o mais importante: ela levou meus sonhos a sério. Desejo que você também encontre pessoas no seu caminho que levem seus sonhos a sério, apoiem seu crescimento e inspirem você a transformar possibilidades em realidade.

Meus maiores aprendizados enquanto imigrante:

  1. A primeira a acreditar nos seus sonhos precisa ser você: É na coragem de confiar no próprio potencial, sobretudo diante do desconhecido, que começamos a criar caminhos reais. Essa crença interna é compromisso com quem somos, com o que merecemos e com quem desejamos nos tornar. Quando acreditamos em nós mesmos, cada conexão se torna ponte, cada encontro se transforma em oportunidade, e a generosidade se multiplica.
  2. Humildade intelectual: Reconhecer que sempre há algo a aprender nos mantém abertos ao crescimento, nos permite valorizar perspectivas diferentes e fortalece nossa capacidade de criar relações significativas.
  3. Curiosidade como guia: Manter-se curioso e receptivo a novas experiências abre portas inesperadas e transforma desafios em oportunidades de crescimento pessoal e profissional.
  4. Conexões humanas autênticas transformam trajetórias: Relacionamentos genuínos são catalisadores de aprendizagem e evolução. Quando tecemos redes com intenção, generosidade e presença, não só construímos oportunidades, mas também crescemos e inspiramos os outros a fazer o mesmo.

2. O que significa o Netweaving para você? 

Netweaving é a arte de tecer conexões com alma. É uma abordagem de relacionamento em que o foco não é “o que eu ganho”, mas “o que posso oferecer ao outro”. Para mim, Netweaving é criar redes vivas, pontes, onde confiança, generosidade e autenticidade caminham lado a lado. É uma filosofia que transforma contatos em relações genuínas e relações genuínas em oportunidades, crescimento e sentido, tanto profissional quanto pessoal.

É preciso muita coragem para sair da superficialidade e ir de coração aberto ao encontro do outro, para se conectar de forma genuína.

3. Muitas pessoas confundem Netweaving com um networking “mais gentil”. Qual é o momento exato em que uma conexão deixa de ser transacional e passa a ser tecida (weaving)? 

O Netweaving acontece quando há uma mudança de mentalidade e postura: em vez de simplesmente conectar, decidimos tecer. Isso significa ouvir de verdade, entender os sonhos e desafios do outro e agir para ajudá-lo sem esperar retorno imediato. Uma conexão é tecida quando deixa de ser sobre o que eu posso ganhar e passa a ser sobre construção mútua, confiança e parceria. Nesse ponto, networking deixa de ser transacional e se transforma em uma rede viva, que cresce com propósito e consistência.

Desafios emocionais do networking no exterior

4. O livro menciona o mundo BANI (Fragmentado, Ansioso, Não Linear, Incompreensível). Como o Netweaving serve de “antídoto” para a ansiedade e a não-linearidade desse contexto atual? 

No mundo BANI, vivemos sob pressão constante, incerteza e dispersão. O Netweaving funciona como um verdadeiro antídoto, pois nos lembra que não estamos sozinhos. Ele nos convida a desacelerar, se conectar com quem realmente somos, cultivar relações genuínas e construir redes de confiança que sustentam emocional e profissionalmente.

Quando temos pessoas confiáveis ao nosso redor, o caos se torna mais navegável e cada desafio se transforma em aprendizado compartilhado. Além disso, para me conectar verdadeiramente com os outros, é fundamental primeiro me reconectar com minha própria essência, reconhecendo identidade, propósito e limites. É dessa harmonia interna que nascem relações autênticas, sólidas e transformadoras.

Sozinhos vamos mais rápido…Juntos mais longe.

5. Um dos pilares do Netweaving é “ajudar sem esperar nada em troca”. Como equilibrar essa generosidade genuína com a necessidade de sustentar uma carreira ou negócio no mundo real? 

Como mentora especialista em transição de carreira, sempre reforço que quem adota a postura do Netweaving se diferencia. Não se trata de perseguir resultados imediatos, mas de cultivar valor real, relacionamentos autênticos e influência sustentável, algo que no mundo real se traduz em oportunidades concretas, parcerias fortes, crescimento consistente e amizades duradouras.

Ajudar de forma genuína, compartilhar conhecimentos, apresentar pessoas e experiências faz com que evoluamos de maneira significativa, muitas vezes de forma inesperada. A verdadeira realização não está no que acumulamos, mas no que despertamos nos outros.

Líderes inspiradores amplificam o talento e o potencial das pessoas ao seu redor, criando efeitos multiplicadores que transformam carreiras, equipes, ecossistemas e vidas.

Cada gesto de generosidade, cada conexão intencional e cada oportunidade de apoiar outro ser humano é uma forma de deixar uma marca duradoura, que retorna de maneiras surpreendentes, para você e para quem você impacta.

Raquel Gillioz, escritora.

Empregos que mais crescem em 2026: oportunidades e habilidades necessárias

6. Para quem está acostumado ao networking tradicional, qual é o primeiro passo para se tornar um “conector estratégico”? 

O primeiro passo é mudar a mentalidade: sair do modo “faca nos dentes e sangue nos olhos” para o modo “brilho nos olhos”, mudar a pergunta de “o que eu ganho?” para “o que posso oferecer?”. Cultivar atenção genuína, ouvir mais, observar necessidades e agir para ajudar de forma concreta.

Ser um conector estratégico é uma postura, não uma técnica: cada ação de suporte e cada conexão genuína constrói confiança e cria oportunidades inesperadas. Isso nasce do equilíbrio entre mente e coração, porque Netweaving exige ambos.

7. Como a comunidade Netweaving Mundo utiliza a intergeracionalidade e a diversidade para acelerar a construção da confiança? 

Hoje, o Netweaving Mundo é muito mais que uma comunidade: somos um ecossistema vivo, intergeracional, multicultural e diverso, formado por mentes brilhantes, curiosas e generosas, espalhadas por diversos países, da Europa à América e até à Oceania.

A confiança se constrói com respeito, empatia, rituais e contribuição mútua. A diversidade amplia perspectivas, enriquece diálogos, expande mentalidades e acelera aprendizado. A intergeracionalidade permite que sabedoria e inovação se encontrem, fortalecendo vínculos e tornando a confiança mais profunda, verdadeira e resiliente.

8. Como o Netweaving ajuda a combater a solidão profissional e o isolamento em um mundo cada vez mais digital? 

O Netweaving transforma conexões em pertencimento, unindo pessoas pelo desejo sincero de evoluir e contribuir para a evolução dos outros. Cada interação intencional, seja um café virtual, um encontro temático, um encontro presencial, um espaço onde todos tenham voz ou uma palavra amiga, cria uma rede de apoio e confiança.

Assim, além de ampliar oportunidades, construímos relações significativas que sustentam emocional e profissionalmente, diminuindo o isolamento e a sensação de solidão.

9. O que vocês aprenderam ao escrever este livro que mudou a percepção sobre o futuro do trabalho e das comunidades? 

Aprendemos a conhecer melhor o universo das 11 coautoras, mulheres poderosas e generosas, com histórias de vida incríveis e diferentes visões de mundo. O que você encontra na obra vai muito além de técnicas: compartilhamos histórias, aprendizados e práticas que refletem a vivência do Netweaving, cada uma trazendo seu olhar único, um convite a conexões mais conscientes.

Aprendemos que o futuro do trabalho não depende apenas de habilidades técnicas, mas sobretudo da qualidade das conexões humanas que construímos. Redes genuínas são capital invisível: sustentam carreiras, projetos, comunidades e vidas.

Cada interação é oportunidade de contribuir, aprender e crescer. Comunidades funcionam quando há generosidade, diversidade e confiança, e o Netweaving é a ferramenta essencial para tornar o mundo mais humano, colaborativo e sustentável.

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10. Onde podemos encontrar o livro no Brasil e no exterior? 

O livro está disponível em versão online ou física, podendo ser adquirido diretamente pelo e-mail [email protected], com as coautoras, com nosso comitê 2025 de gênios apaixonados pelo propósito do Netweaving: Elanne Almeida, Carlos Bertozzi e Caroline Pertschi ou com a idealizadora do livro Tarcis Rosa e a editora Chave Mestra.

11. Terão mais eventos com as autoras ou tours pela Europa? 

Sim! Estamos planejando novos encontros, eventos de Netweaving e tours pela Europa, com o objetivo de aprofundar conexões, trocar experiências e vivenciar na prática a filosofia do Netweaving, fortalecendo redes humanas transformadoras.

Nosso próximo encontro presencial intimista será em Genebra, no dia 17 de fevereiro. Também já temos três encontros digitais programados , incluindo um sobre crenças limitantes, com Ana Dantas, roteirista premiada, escritora, jornalista e publicitária, e membro ativo do nosso grupo.

Outro destaque é Elanne Almeida, consultora de RH e representante do comitê que conduzirá um encontro sobre como líderes que se transformam podem transformar suas equipes e negócios. Além disso, Nady Dequech, nossa líder espiritual e advogada especializada em governança corporativa, confirmará nos próximos dias um encontro voltado para espiritualidade e desenvolvimento pessoal.

Os temas são diversos, abrangendo autoconhecimento, espiritualidade, saúde social e business, oferecendo oportunidades para aprender, se conectar de forma genuína e experimentar o Netweaving na prática, criando redes que geram impacto real. Nosso propósito é claro: evoluir e apoiar a evolução uns dos outros. Acreditamos que o futuro será coletivo!

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Amanda Corrêa é uma jornalista brasileira que mora no exterior há 11 anos. Possui Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho (Portugal). Morou na Inglaterra e atualmente reside em Portugal. Atua na área de Jornalismo, produção de conteúdos e mídias sociais. Com seu trabalho, ajuda brasileiros e estrangeiros a morarem fora do país e realizarem seus sonhos!

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