Aluguel em Portugal
Aluguel em Portugal – Foto: Canva.

Um estudo europeu mostra que o aluguel em Portugal de um apartamento pode consumir mais de 80% do salário. Entenda a crise da moradia no país e o impacto para jovens e trabalhadores!

Encontrar um lugar para morar na Europa está cada vez mais difícil. Um novo relatório da agência europeia Eurofound revela que o custo de alugar um apartamento de dois quartos pode consumir mais de 80% do salário médio em vários países. Aliás, o aluguel em Portugal, especialmente em áreas costeiras e cidades turísticas, continua fora de controle.

Além disso, o estudo aponta que, em algumas dessas regiões, a proporção ultrapassa os 100%, o que significa que seria necessário mais do que um salário integral apenas para pagar o aluguel. Dessa maneira, esses números criam um quadro preocupante da crise de moradia que afeta vários países europeus.

Aluguel em Portugal: relatório mostra as dificuldades de moradia na Europa

O relatório ‘Foundational challenges: The housing struggles of Europe’s youth’, publicado pela Eurofound, analisa a relação entre salários e custos de moradia em diversos países da União Europeia. A conclusão é clara: em Portugal, Espanha, Bulgária, Irlanda e Polônia, os preços de aluguel estão tão altos que consomem uma fatia desproporcional da renda dos trabalhadores.

No caso de Portugal, especialmente nas regiões costeiras e destinos turísticos populares, o cenário é ainda mais grave. Em muitas dessas áreas, o aluguel de um apartamento de dois quartos chega a exigir mais de 100% do salário mediano, ou seja, um trabalhador médio teria de comprometer toda a sua renda, e ainda não teria o suficiente para pagar o aluguel integral.

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Por que isso está acontecendo em Portugal?

Essa tendência ocorre por conta de vários fatores, são eles:

  • Demanda elevada em áreas turísticas: cidades e vilas à beira-mar, como aquelas no Algarve, em Lisboa e no Porto, atraem turistas e investidores. Isso reduz a oferta de imóveis para residência permanente e pressiona os preços dos aluguéis tradicionais.
  • Aluguéis de curta duração: imóveis que poderiam ser alugados para moradores acabam sendo destinados para plataformas focadas no turismo de curta duração, aumentando ainda mais a pressão pelo espaço habitacional.
  • Descompasso entre salários e custos de moradia: embora o salário médio em Portugal seja competitivo em alguns setores, ele não acompanhou o ritmo de aumento dos aluguéis nos últimos anos. O resultado é essa diferença cada vez maior entre custo de vida e renda disponível.

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Impactos para jovens e trabalhadores

A proporção alta entre aluguel e salário tem efeitos diretos no dia a dia dos jovens e trabalhadores em Portugal. Por isso, existem impactos que são sentidos como:

  • Dificuldade para sair da casa dos pais: muitos jovens permanecem com suas famílias por mais tempo, já que não conseguem arcar com um aluguel sozinho.
  • Adiamento de planos de vida: formar família, poupar para compra de imóvel ou mesmo planejar projetos de longo prazo acaba ficando mais difícil.
  • Mobilidade reduzida: trabalhadores que consideram se mudar de cidade ou país para oportunidades profissionais podem ser desencorajados pelos altos custos de moradia em Portugal.
  • Emigração para outros países: isso estimula que, a cada dia, mais e mais jovens e trabalhadores portugueses escolham viver em outro país para conseguir um melhor equilíbro financeiro entre trabalho, renda e moradia.

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Aluguel em Portugal: comparação com outros países europeus

Embora Portugal esteja entre os países mais impactados, a crise de moradia na Europa não é exclusiva do país luso:

PaísParte do salário médio necessária para alugar um apartamento de 2 quartos
Portugal>80% em muitas áreas, chegando a >100% nas regiões costeiras
Espanha>80% em destinos turísticos e grandes centros
Irlanda>80% em várias cidades
Bulgária>80% em algumas regiões
Polônia>80% em diversos locais

Sendo assim, especialistas em habitação apontam que a resposta envolve políticas públicas que ampliem a oferta de moradia acessível. Além disso, que incentivem a utilização de propriedades vazias para aluguel tradicional e regulem o impacto de aluguéis de curta duração. Essas medidas poderiam aliviar a pressão sobre os preços e tornar o mercado mais equilibrado para quem vive e trabalha na Europa.

Por fim, a crise de moradia em Portugal é um problema que já ultrapassou questões pontuais e afeta diretamente a qualidade de vida de trabalhadores, jovens e famílias. Ou seja, é inadmissível que mais de 80% do salário seja comprometido e necessário só para pagar um aluguel de dois quartos. Dessa maneira, fica claro que a relação entre renda e custo de vida precisa ser repensada, especialmente em áreas com grande demanda e competição imobiliária.

Entender esses dados é essencial para quem vive em Portugal ou planeja morar no país europeu nos próximos anos, pois o desafio da habitação é um dos fatores mais determinantes para a vida financeira e o bem-estar.

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Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação e Doutor em Estudos de Comunicação, é apaixonado por rock and roll e conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

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