
Após muita demora no controle de imigração com o EES (Entry/Exit System), Aeroporto de Lisboa suspende sistema e também reforça equipe de militares da GNR para diminuir filas das chegadas.
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, vai suspender por três meses o sistema europeu de controle de fronteiras para passageiros extracomunitários, após o agravamento das longas filas nas chegadas. A decisão foi anunciada na semana passada pelo Ministério da Administração Interna (MAI) de Portugal, que reconheceu dificuldades operacionais provocadas pela implementação do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.
Segundo o Governo português, a medida é temporária e faz parte de um conjunto de ações de contingência para responder ao aumento expressivo do tempo de espera enfrentado por passageiros vindos de países fora do Espaço Schengen. Com a suspensão do sistema eletrônico, o controle volta a ser feito pelo modelo tradicional, baseado na leitura manual do passaporte e, em muitos casos, no carimbo de entrada e saída. Que havia sido suspenso desde o dia 12 de outubro de 2025.
Aeroporto de Lisboa: Longas filas e espera de até sete horas na imigração
A situação no aeroporto de Lisboa tem gerado críticas de passageiros, companhias aéreas e entidades do setor. Em alguns dias, o tempo de espera para passar pelo controle de passaportes ultrapassou 7 horas, causando perda de conexões. Além de atrasos na recolha de bagagens e aumento de custos operacionais para as companhias aéreas.
Relatos de passageiros apontam que o problema se agravou após a pandemia, com um crescimento do fluxo internacional sem que a infraestrutura acompanhasse essa evolução. A Associação de Companhias Aéreas em Portugal (RENA) afirma que o aeroporto não estava preparado para absorver o impacto do novo sistema europeu de controle de fronteiras.
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Reforço de efetivos e equipamentos no Aeroporto Humberto Delgado
Além da suspensão do EES (Entry/Exit System da União Europeia), o Governo de Portugal anunciou nesta terça-feira, 06 de janeiro de 2026, o reforço imediato de trabalhadores no aeroporto. Militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), com formação certificada em controle de fronteiras, começaram a ser destacados para a área das chegadas. Ao todo, 24 militares vão atuar em turnos flexíveis, integrados em equipes supervisionadas, para ajudar a reduzir o tempo de espera dos passageiros.
O aeroporto já tinha sido reforçado anteriormente com 80 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) durante o período do Natal e do Ano Novo. A PSP, que assumiu em 2023 as funções do extinto Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) nos aeroportos, afirma que tem operado “praticamente em capacidade máxima”.
Segundo a polícia, a infraestrutura disponibiliza atualmente 16 balcões de atendimento nas chegadas e 14 nas partidas, além das portas automáticas de controle biométrico, conhecidas como e-gates. Ainda assim, o grande volume de passageiros tem ultrapassado a capacidade operacional.
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Novo sistema europeu de entrada aumentou de forma drástica as filas no Aeroporto de Lisboa
O Sistema de Entrada/Saída (EES) começou a funcionar em Portugal e nos restantes países do Espaço Schengen europeu no dia 12 de outubro. A plataforma registra eletronicamente as entradas e saídas de cidadãos extracomunitários. E, numa segunda fase, passou a recolher dados biométricos, como fotografia e impressões digitais, desde o dia 10 de dezembro de 2025.
Essa etapa adicional tornou o processo mais demorado, sobretudo em aeroportos com elevado tráfego internacional, como o Aeroporto de Lisboa. Diante do cenário de crise, o Governo criou no fim de outubro uma força-tarefa de emergência para acompanhar a situação e diminuir os impactos.
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Críticas da Comissão Europeia ao Aeroporto de Lisboa
Para tentar resolver os problemas estruturais, o Conselho de Ministros aprovou uma resolução que autoriza a PSP a investir € 7,5 milhões de euros até 2028 na aquisição de novos equipamentos. Com o objetivo de melhorar a gestão dos fluxos migratórios no Aeroporto de Lisboa.
Além disso, uma avaliação sem aviso prévio realizada pela Comissão Europeia entre 15 e 17 de dezembro identificou “deficiências graves” no controle de fronteiras no Aeroporto Humberto Delgado. O relatório apontou falhas nos controles de primeira e segunda linha, tempos de espera excessivos e até ausência de controles de saída em determinados momentos, sem comunicação prévia às autoridades europeias.
Esses alertas aceleraram a decisão de suspender temporariamente o EES. A própria ministra da Administração Interna reconheceu no Parlamento que a implementação do novo sistema “correu muito mal”, citando falhas de planejamento, falta de recursos humanos e limitações físicas do aeroporto.
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Problema também afeta outros países da União Europeia
Embora Lisboa seja um dos casos mais críticos, o impacto negativo da implementação gradual do EES foi sentido em outros aeroportos da União Europeia. Filas, atrasos e dificuldades operacionais têm sido relatados em diferentes países desde outubro. O que levanta dúvidas sobre a capacidade das infraestruturas atuais para absorver o novo modelo de controle de fronteiras.
Com a suspensão temporária do sistema eletrônico em Lisboa e o reforço de pessoal, o Governo português espera reduzir os problemas imediatos, enquanto avalia soluções estruturais para evitar que o cenário de caos se repita no principal aeroporto do país luso.
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Aeroporto de Lisboa reforça equipe de militares da GNR para diminuir filas
O Aeroporto Humberto Delgado também passou a contar, a partir desta terça-feira, com o reforço de 24 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) na área das chegadas. A medida faz parte das medidas adotadas pelo Governo para reduzir as longas filas no controle de fronteiras.
A informação foi divulgada pela agência Lusa e SIC Notícias. Ainda não há definição oficial sobre quanto tempo os militares vão permanecer destacados no aeroporto de Lisboa. De acordo com Carlos Catanário, porta-voz da GNR, os militares vão atuar em turnos flexíveis, organizados em equipas de cerca de 10 elementos. Além disso, serão acompanhadas por um supervisor, com atuação direta no controle de documentos dos passageiros.
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