
Viajar está se tornando coisa de rico, pois muitos países estão implementando taxas turísticas e impostos para conter o alto fluxo de visitantes. Saiba mais!
O sonho de viajar e carimbar o passaporte está se tornando coisa de rico e ganhando uma camada extra de burocracia e, principalmente, de custo. Se até pouco tempo o maior desafio do viajante era encontrar passagens aéreas promocionais, em 2026 o cenário está mudando de forma drástica. Uma onda global de novas taxas turísticas, impostos e exigências financeiras está transformando destinos populares em redutos cada vez mais exclusivos.
Os 7 melhores restaurantes de Braga para visitar em Portugal
Viajar é coisa de rico?
Não, viajar não é coisa de rico, mas de quem se organiza e planeja. Contudo, países como Japão, Indonésia e Itália estão tomando a frente e criando medidas que prometem “qualidade sobre quantidade”. Na prática, isso significa que o turista precisa pagar para entrar, pagar para ficar e, em alguns casos, até provar que tem dinheiro sobrando na conta antes mesmo de embarcar para o destino.
Turismo no Chile: as melhores atrações de Santiago e passeios nos arredores
Japão: o recorde de visitantes traz a conta mais alta da história
O Japão vive um dilema: o país nunca recebeu tantos turistas, mas a infraestrutura local está sob pressão máxima. Para equilibrar a conta, o governo japonês está implementando em 2026 um aumento substancial nas taxas que afeta diretamente o bolso do turistas estrangeiros.
Por exemplo, a histórica cidade de Quioto aprovou um aumento drástico na taxa turística de pernoite. Dependendo do valor da hospedagem, o imposto pode chegar a 10.000 ienes (aproximadamente R$ 340) por noite em hotéis de luxo, um salto de dez vezes em relação aos valores anteriores.
Além disso, subir o icônico Monte Fuji tornou-se uma atividade paga. Agora, todas as rotas de escalada exigem uma taxa obrigatória de 4.000 ienes (cerca de R$ 135) por pessoa, com limite diário de visitantes para conter o “overtourism”, turismo de massa.
Contudo, essas medidas não são isoladas. O governo japonês também revisou a taxa turística de saída e o custo dos vistos, justificando que a receita será revertida para a proteção de monumentos e melhoria do atendimento ao visitante.
Os verdadeiros lugares duty free da Europa: onde vale a pena economizar em 2026
Bali e a barreira do “extrato bancário” para entrar na ilha
A Indonésia elevou o tom para garantir que Bali receba apenas o que chamam de “turistas de qualidade”. A partir de março de 2026, a ilha planeja exigir que os viajantes estrangeiros apresentem comprovantes de fundos financeiros antes da entrada. A medida exige que o turista mostre extratos bancários dos últimos três meses para provar que tem recursos suficientes para se manter durante a estadia sem depender de trabalho ilegal.
Contudo, embora o valor mínimo exato varie conforme o tempo de permanência, a mensagem é clara: Bali não quer mais o “turista mochileiro de baixo orçamento” que causa problemas de ordem pública. Além da comprovação financeira, a taxa de preservação de 150.000 rupias (cerca de R$ 48) continua sendo cobrada logo na chegada.
Depois de longas filas, Aeroporto de Lisboa suspende controle eletrônico de entrada
O fim do acesso universal: Museu do Louvre e o imposto para não europeus que visitam a França
Uma das mudanças mais impactantes para o bolso do brasileiro ocorre no coração de Paris. O Museu do Louvre em Paris, o museu mais visitado do mundo, implementou em janeiro de 2026 uma política de “preços diferenciados” que encareceu drasticamente a entrada para quem não vive na Europa.
Enquanto cidadãos da União Europeia mantêm tarifas subsidiadas, turistas de fora do bloco, como brasileiros e norte-americanos, viram o ingresso saltar de € 22 euros para € 32 euros (cerca de R$ 200 na cotação atual). Os ingressos devem ser comprados online pelo site oficial do museu.
O aumento de 45% é justificado pela administração como necessário para financiar reformas e aumentar a segurança após incidentes recentes. No entanto, a medida gera polêmica ao quebrar o conceito de “acesso universal à cultura”.
Agora, uma família brasileira de quatro pessoas gastará quase R$ 800 apenas para ver o quadro da Mona Lisa, sem contar as taxas de reserva e transporte, consolidando a ideia de que o turismo cultural de elite veio para ficar.
Viagem Portugal 2026: destinos que recomendo a quem quer conhecer o país além do óbvio
Taxas turísticas em Roma: pagar para ver (de perto) a Fontana di Trevi
Na Europa, a Itália segue o exemplo de Veneza e expande a cobrança para monumentos específicos. A partir de fevereiro de 2026, a famosa Fontana di Trevi, em Roma, deixará de ter acesso totalmente livre. Para descer as escadarias e chegar perto da borda da fonte, o local clássico para a foto perfeita jogando a moeda, o turista agora precisa pagar uma taxa de € 2 euros (cerca de R$ 11 reais).
O sistema funciona com ingressos comprados via aplicativo ou QR Code no local, com horários agendados entre as 9h e 21h. Moradores de Roma continuam isentos, reforçando a tendência de que o custo da preservação do patrimônio histórico recairá quase que exclusivamente sobre os visitantes internacionais.
Turismo em Portugal com crianças: dicas de quem mora no país e passeios em família
Por que viajar ficou tão caro? O fenômeno do “Overtourism”
A explicação por trás dessa avalanche de taxas é o chamado “overtourism” ou turismo predatório. Destinos que antes dependiam desesperadamente dos visitantes agora lutam para sobreviver à massa de pessoas que sobrecarrega o transporte público, eleva o preço dos aluguéis para os locais e degrada a cidade. Sendo assim, ao criar barreiras financeiras, os governos tem buscado dois objetivos:
- Arrecadação direta: Financiar a manutenção que o fluxo intenso de pessoas exige.
- Seleção de público: Reduzir o número total de visitantes, priorizando aqueles com maior poder aquisitivo e que, teoricamente, gastam mais no comércio local.
Voos gratuitos no Japão: empresa aérea japonesa quer atrair turistas
Taxas turísticas: como se planejar para não ser pego de surpresa
Para o brasileiro que planeja as férias de 2026, a planilha de custos precisa de uma nova coluna: “Taxas Governamentais e Impostos”. Confira dicas essenciais para o novo cenário de viagens em 2026:
- Verifique o ETIAS e JESTA: Sistemas eletrônicos de autorização de viagem (como o ETIAS na Europa) agora são obrigatórios e possuem taxas de processamento.
- Reserve taxas locais com antecedência: Muitos destinos oferecem descontos ou garantem a entrada para quem paga as taxas de turismo online antes do embarque.
- Demonstração financeira: Ao viajar para o Sudeste Asiático, leve impressos (em inglês) seus extratos bancários e limites de cartão de crédito. A checagem aleatória tornou-se padrão em muitos aeroportos.
Viajar está deixando de ser uma questão de apenas comprar a passagem e o hotel. Em 2026, o passaporte carimbado virou, definitivamente, um item de luxo onde o acesso aos lugares mais bonitos do mundo agora tem preço de bilheteria. Organize sua viagem internacional com antecedência e imprima todas as reservas e atrações em inglês ou no idioma local. Não esqueça do seguro viagem e acompanhar as novas taxas turísticas de 2026.
Leia também: Inverno na Europa: melhores destinos para viajar e os meses com neve
*Assista o vídeo novo e conheça os destinos duty free na Europa:




