Morar em Hong Kong: uma das cidades mais desejadas para ter uma carreira internacional

Morar em Hong Kong
Foto: Pixabay

Hong Kong é uma das cidades da Ásia com mais oportunidades para profissionais estrangeiros que sonham em ter uma carreira internacional. Morar na cidade mais cara do mundo para estrangeiros pode ser desafiador. Entretanto, as oportunidades também são bastante grandes. Hong Kong é hoje a cidade com o custo de vida mais alto do mundo.

Hong Kong é uma região administrativa dentro da China, uma cidade de arranha-céus e com Índice de Desenvolvimento Humano bastante elevado.

De acordo com a pesquisa da Mercer – desenvolvida em 375 cidades do mundo -, em 2018 Hong Kong passou Luanda (Angola) e se tornou a cidade mais cara para expatriados morarem no mundo. E hoje, nós do Vagas pelo Mundo vamos te contar como é morar em Hong Kong e como é o custo de vida na cidade cosmopolita e global.





Como é morar em Hong Kong?

Hong Kong possui 7,3 milhões de habitantes e é considerada uma cidade dos sonhos para muitos profissionais estrangeiros. A cidade global é um importante centro financeiro da Ásia e do mundo e oferece ótimos salários para profissionais qualificados.

Além das oportunidades de trabalho para quem domina o inglês, a região é muito segura para morar. Para a modelo brasileira Maria Eduarda Schuetz, que vive há 10 anos na cidade, um ponto muito positivo é a segurança “você pode andar na rua sozinha de dia e de noite”.

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A brasileira Maria Eduarda Schuetz em Hong Kong.

Para o brasileiro Dimas Bornhausen Neto, gerente internacional de desenvolvimento de negócios que mora há 6 anos em Hong Kong, a cidade é muito dinâmica e conveniente. “Gosto muito de viver em Hong Kong, é fácil de se locomover para outras partes do mundo e os preços das passagens aéreas são muito acessíveis”.

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Custo de vida em Hong Kong

Para Maria Eduarda uma das vantagens de morar em Hong Kong é que as coisas funcionam muito rápido, “a cidade não para, gosto da praticidade de tudo”, explica. Já entre as desvantagens estão o custo de moradia. “O aluguel em Hong Kong é caro. Apartamentos pequenos com preços altíssimos. Nosso apartamento tem 90m2 e o aluguel é 8.000 euros por mês”, relata.

Mas os salários também são altos e acompanham o custo de vida. O imposto de renda é bastante atrativo (entre 2% a 17%, dependendo do salário) e os bens de consumo muito mais baratos que no Brasil.

Brasileiros em Hong Kong

De acordo com os brasileiros que moram em Hong Kong, os estrangeiros são muito bem recebidos e os habitantes locais são muitos curiosos sobre como é o Brasil. Maria Eduarda afirma que eles adoram brasileiros. “Sempre fui muito bem recebida. Hong Kong também é uma cidade muito internacional. Existem muitas pessoas de outras nacionalidades vivendo aqui”, explica.

Dimas também também afirma ser muito bem tratado em Hong Kong. “Nunca senti preconceito algum por ser brasileiro. Pelo contrário, sinto que os Asiáticos tem uma grande simpatia por nós”.

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Entrevista exclusiva

Confira a entrevista exclusiva que o site Vagas pelo Mundo fez com o profissional da área de comércio exterior Dimas Bornhausen Neto, que mora há 6 anos em Hong Kong.

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O brasileiro Dimas Bornhausen Neto em Hong Kong

1) Como aconteceu a escolha por Hong Kong?

Não foi uma escolha, acabou por acontecer. Houve a necessidade da empresa em enviar um brasileiro para o escritório Asiático e recebi uma proposta que achei interessante arriscar. Minha ideia inicial era ficar 1-2 anos. Aqui estou, há 6 anos e cada dia mais certo de que tomei a decisão certa. Estou muito feliz e me vejo morando na Ásia por muitos anos mais.

2) Como é viver na cidade mais cara do mundo?

Gosto muito de viver em Hong Kong, é uma cidade dinâmica e conveniente. É fácil se locomover para outras partes do mundo, e neste quesito os preços das passagens aéreas são acessíveis (em comparação com outras partes do mundo). Com planejamento, muitas vezes é possível passar um final de semana fora da cidade possivelmente gastando menos do que se você estivesse ficando em Hong Kong.

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No geral, é sim uma cidade cara e de maior maior peso neste custo é a acomodação, moradia. Os aluguéis e custos dos imóveis para compra quando em proporção ao espaço, é um dos mais caros do mundo. Alimentação; supermercado sinto ser também caro em comparação com outros lugares, mas é possível diminuir este custo. Vai muito do seu estilo de vida. Comer fora em muitos casos é mais barato do que cozinhar em casa (no meu caso vivendo sozinho). A parte boa disso em viver em uma cidade cara é que quando você viaja para fora acha tudo mais barato.

3) Qual o valor médio dos aluguéis? É possível encontrar bons imóveis?

Variam muito, quanto mais novo e mais espaçoso o imóvel, mais caro. Em sua maioria os prédios da cidade são bem antigos; porém isso não significa dizer que os aluguéis se tornariam mais baratos por causa disso. Eu diria que eles seriam menos caros. Acho que é bastante difícil achar uma boa opção por menos de USD 2,000-2,500/mensal (Baseando-se em 1-2 quartos, bem pequenos – padrões de Hong Kong).

Um apartamento de tamanho normal (em padrões Americanos; Brasileiros por exemplo) de 3 quartos e 2 banheiros custaria muito fácil de USD 6,000/mensal para cima. O bairro, proximidades de estações do metrô influenciam muito, já que boa parte das pessoas na cidade não usam carro, mas sim transporte público e taxi.

4) Como você descreveria o dia a dia de Hong Kong? Como é a qualidade de vida?

Agitado. Acho que essa é a palavra que descreve muito bem a vida de muita gente em Hong Kong. Todo mundo está sempre fazendo alguma coisa, se locomovendo para algum lugar e sempre dizendo que lhes falta tempo para fazer tudo que planejam nos seus dias/semana. Essa estrutura conveniente da cidade com ótimos meios de transporte, segurança pública de alto nível tornam a qualidade de vida muito boa.

O fato de a cidade ser pequena de espaço, a concentração de pessoas é muito grande e isso seria um das coisas difíceis, por gerar muita fila em quase tudo que você quiser fazer no seu dia a dia. O que facilmente se transforma em stress.

É uma cidade muito internacional, conectada com o mundo. As pessoas de diversas áreas profissionais trabalham comunicando-se nos horários mais incomuns com clientes/fornecedores de todos os cantos do planeta. Isso exige muita flexibilidade nas suas agendas pessoais e isso pode ser difícil, pois influencia muito na sua vida social e rotina do dia a dia.

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Dia a dia em Hong Kong.

5) Você se vê morando aí para sempre?

Sim, seria bem possível viver aqui para sempre. Inclusive em pouco tempo obtenho meu status de residente permanente e assim não dependo mais de visto para viver em Hong Kong. Mas avaliando custo de vida versus uma rotina agitada, não me imaginaria me aposentando em Hong Kong. Embora seja muito comum ver muitas pessoas idosas circulando na cidade.

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6) Como você é tratado por ser brasileiro? Existe preconceito?

Sou muito bem tratado e nunca senti preconceito algum por ser brasileiro. Pelo contrário, sinto que os Asiáticos tem uma grande simpatia por nós e muita curiosidade em saber como é o Brasil.

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7) Quais as áreas profissionais mais requisitas em Hong Kong?

Finanças, Trading (Exportação / Importação) e Logística.

8) Como foi o processo do visto para morar aí?

Bastante simples. Hong Kong possui um sistema bem simplificado e rápido, porém é preciso ter uma empresa patrocinadora de seu visto de trabalho. Caso contrário, complica-se muito a busca de emprego. O custo para empresa e para o empregado é quase nulo, não existe uma problemática neste sentido.

A única coisa importante é a empresa conseguir justificar a necessidade de trazer um profissional de fora ao invés de contratar um profissional local. Assim como garantir um salário base ao seu empregado que possa dar condições de viver em uma cidade com um custo tão alto.

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Amanda Corrêa

Amanda Corrêa é uma jornalista brasileira que mora no exterior há quase 5 anos. Possui Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho (Braga, Portugal). Morou 4 anos e meio em Portugal e atualmente está passando uma temporada na Inglaterra. Atua há 14 anos na área de Jornalismo, produção de contéudos e mídias sociais.

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