Morar fora: excesso de ontem, excesso de hoje e excesso de amanhã

Morar Fora
Foto: Pixabay

Quando vamos morar fora estamos no limite. É certo que as coisas já não estão acontecendo como a gente gostaria e queremos partir, mudar de ares. É o emprego (ou a falta dele), é o relacionamento que desandou, é a vida profissional que estagnou, a política que irritou, a vida que parece ter parado no tempo.

Não estamos felizes e queremos sair da nossa tão buscada zona de conforto a qualquer custo. Precisamos nos mudar para mudarmos. Deu. E vamos. Vamos sem nem olhar direito para trás. Estamos cansados, não ligamos de vender ou doar nossas coisas, queremos ir. Precisamos ir.





Excesso de Hoje

Aí a vida anda. Depois de chegarmos na nossa nova cidade, estado ou país entendemos e sentimos que nos mudamos, e mudamos. É uma correria louca, é documento, uma papelada sem fim, achar casa nova, emprego novo, tudo novo. Entramos na fase do “excesso de hoje” e quando o hoje nos sufoca nos estressamos. É, por experiência própria, uma fase estressante. Temos medo.

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Devagarinho e cada um no seu tempo as coisas vão acalmando. Já temos onde morar, já começamos a nos adaptar e até já fizemos alguns novos amigos. Arrumamos um emprego, os documentos chegaram, estamos conseguindo pagar as contas e o “excesso de hoje” vai, aos poucos, diminuindo.

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Excesso de Ontem

Penamos na nossa nova vida. E é penando que entendemos que estamos com o “excesso de ontem”. Apesar da nossa antiga zona de conforto ter nos dados impulso para partirmos, ela parece fazer mais falta do que um dia poderíamos imaginar. Incertezas, medos e muita saudade. Ingredientes perfeitos para que o molho do “excesso de ontem” engrosse.

E, enquanto não nos livramos do ontem, o hoje fica paralisado e o amanhã nem preciso falar. Não dá tempo para nada, não conseguimos organizar a nossa rotina por aqui, estamos presos ao passado estando no presente e não conseguimos nos conectar com o futuro. Nossa mente não deixa, a saudade sufoca.

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Depois de ultrapassarmos a fase do “excesso de hoje” e daquele estresse violento da mudança e da chegada, entramos e mergulhamos de cabeça na do “excesso de ontem”. Estamos saudosos, tudo faz falta, o almoço em família, a rotina, o cheiro da nossa casa, o se “sentir em casa” e o “ser daqui” gritam com a gente.

Porém, a vida por aqui continua e vamos nos desprendendo. Pensar no futuro nos causa ansiedade. Vivemos um dia de cada vez, ainda convertemos a moeda no supermercado, fazemos contas para falar com os amigos e familiares que ficaram por conta do fuso horário. Mesmo assim, depois de um longo dia de trabalho, encostamos nossa cabeça no travesseiro e o futuro nos preocupa.

Excesso de Amanhã

Aí aqui começa a fase do “excesso de amanhã”. Muita gente perguntando “quando voltamos”, o tempo passando e as incertezas caminhando junto. Nada é certo. Tiramos os perrengues de letra, mas nos preocupamos com o futuro. Ficaremos aqui para sempre? Seremos “os estrangeiros” para o resto da vida? E no ano que vem, como vai ser?

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E com o “excesso de amanhã” nos tornamos ansiosos. Ansiosos convictos. Uns roem unha, outros fumam. Cada um, do seu jeito, tentando abafar o berro da ansiedade. Graças a Deus o tempo, sempre ele, passa e traz um pacote concentrado e pesado de amadurecimento. Estamos mais maduros.

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Morar fora tem lá seus encantos e, na minha opinião, o maior deles é o quanto somos forçados a amadurecer. Forçados sim, pois é na marra, na porrada. Mesmo que você não queira (e negue), você vai amadurecer (e já está) morando fora. Pode acreditar.

E assim vamos nos equilibrando por aqui. Tentando achar o meio-termo, fugindo dos excessos, vivendo um dia de cada vez. Nem tanto hoje, nem tanto ontem, nem tanto amanhã. Até quando eu não sei, mas espero que seja o tempo suficiente. Se é que ele existe!

Morar fora: a vida é um trem bala

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Cláudio Abdo

Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação, faz Doutorado em Estudos de Comunicação. Apaixonado por rock and roll, conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

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