Morar fora: quando os novos ares não ajudam?

Morar Fora Claudio Abdo
Foto: Pixabay

Quando não estamos felizes, geralmente saímos desesperadamente em busca de mudanças. Em muitos casos a gente descobre que sim, realmente era de uma boa mudança que a gente precisava e que os novos ares estão nos ajudando. Porém, e quando os novos ares não ajudam?

Pois é. Depois de alguns anos morando fora, me sinto mais confortável em aconselhar e dizer: não aposte todas as fichas em morar fora para revolver os seus problemas. E digo isso porque na maioria das vezes o problema está na gente e quando a gente partir, ele vai conosco na mala.

Além disso, a idade foi me fazendo perceber que existem algumas fases da vida, sejam boas ou ruins, que não tem outro jeito a não ser atravessá-las com todas as armas que temos. Seja no luto ou na luta, seja na vitória ou na derrota, seja na tristeza ou na alegria.





O fato é que somos muito avessos, enquanto seres que fogem da dor à todo o custo, a encerrar ciclos. Se até no luto passamos por fases que, me perdoem os psicólogos e profissionais de saúde, são extremamente importantes, qual seria o motivo para fugirmos tanto da necessidade de encerrar ciclos que precisam ser fechados?

Sim, aquele relacionamento que deu certo por um tempo, mas que agora já entrou em concordata, precisa ser finalizado. Sim, a gente precisa encarar as fases do luto de um ente querido para conseguir entender que a vida é feita de ciclos e, na dor ou no amor, existe o começar, amadurecer e o acabar.

Até o emprego que deu errado e se foi ou até mesmo a desistência daquele curso precisam respeitar os ciclos. E não, não adianta querer “vazar” e deixar tudo para trás quando, a bem da verdade, é que a gente precisava encontrar alguma coragem e enfrentar tudo isso de frente.

E digo isso porque vejo muitas pessoas sofrendo aqui fora por não terem fechado os ciclos antes da partida para a nova vida. Morar fora é muito intenso, é puxado, é canseira. Recomeçar exige força, mas acima de tudo, nos força a ter uma resiliência extrema.

Morar fora: desistir não está nos planos.

O recomeço

É ter que trabalhar em algo diferente, é se jogar de cabeça num novo idioma, é mergulhar e tentar se inserir em uma cultura totalmente diferente da nossa. E não, não é impossível fazer tudo isso, mas é muito mais fácil quando você fechou os ciclos anteriores da sua vida e pode se dedicar única e exclusivamente a esse novo momento.

Morar fora está sendo a maior experiência da minha vida e, talvez, eu tenha tido algum sucesso por aqui justamente porque antes de partir eu encerrei meus ciclos. E digo sucesso no sentido de que já aguentei 5 anos e não pretendo desistir tão cedo.

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O caminho foi, é e continua sendo bastante exigente, mas ter podido, no começo, me dedicar de forma exclusiva à nova vida foi fundamental. E esse texto nasce justamente porque há alguns dias vi a história de uma mulher que, após se divorciar, perdeu o seu filho de 3 anos em uma tragédia.

Morar fora: a felicidade não está lá fora.

Então, como forma de fugir daquela dor imensurável, ela largou tudo para trás e foi morar na Inglaterra. Num primeiro momento parecia a coisa mais correta a se fazer, porém segundo seu relato em uma rede social, as coisas não estavam indo pelo caminho imaginado.

Nada daquilo fazia sentido para ela. O clima frio e chuvoso sufocava, o idioma era um muro quase impossível se escalar. Trabalhar sem concentração não permitia que ela continuasse por muito tempo no emprego, dividir a casa com estranhos estava sendo terrível.

Nem o Big Ben, o Palácio de Buckingham ou a Rainha Elizabeth eram capazes de amenizar tanta dor num coração estraçalhado. Pular as fases do luto e fugir da dor não ajudou. Faltava o abraço da mãe, o carinho dos irmãos, faltava um encontro com o ex-marido para deixar as boas lembranças do filho inundarem um peito aberto e um cérebro aflito.

Portanto, ainda que perder o emprego, terminar o namoro/casamento, desistir do curso ou sei lá o quê possam ser um gatilho para a partida, encarregue-se de deixar tudo resolvido no campo dos sentimentos antes de partir para morar fora.

Morar fora: mudar não é tão difícil quanto aceitar que algo acabou.

Um novo ciclo

É que eu acabei esquecendo de dizer, mas aqui fora acontecerão tantas coisas novas, irão chegar tantos sentimentos em forma de tsunami que, se o seu coração e a sua mente não tiverem limpos dos ciclos anteriores, nada de bom será capaz de ocupar o espaço que sobra no seu corpo. E sim, infelizmente, a tendência é que as coisas ruins façam morada no pouco espaço da mente ou do coração que sobraram.

Quer morar fora? Vá. Talvez eu seja suspeito em dizer mas, com certeza, será uma das melhores coisas da vida. A gente aprende e cresce, a gente amadurece, a gente sofre, a gente se ajoelha e agradece. Uma coisinha vira um acontecimento mega importante, um estranho pode facilmente ocupar o cargo de melhor amigo.

Morando fora a gente aprende a ser gente. A gente deixa de reclamar e passa a agradecer, a gente desenvolve o senso crítico, a gente chora de saudade, mas no fim das contas sabe que está fazendo a coisa certa. Porém, para que tudo isso e muito mais possa acontecer, a gente precisou encerrar vários ciclos.

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Sim, foi difícil e continua sendo. Pode acreditar, ainda que muitas pessoas não admitam, mas foi necessário matar um leão por minuto antes de partir para fechar ciclos, resolver pendências e partir de peito aberto e mente limpa. Se você está pensando em morar fora deixo uma dica: encerre seus ciclos, resolva suas tretas, sente e converse com quem você precisa.

Não fuja da dor, enfrente-a. Não tenha medo, porque quando você for morar lá longe, perceberá que tudo deu e está dando certo justamente porque foi possível focar no novo e deixar o passado para trás. E aí, vai esperar até quando para fechar os ciclos que precisam ser fechados, colocar uma mochila nas costas e desbravar o mundo?

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Cláudio Abdo

Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação, faz Doutorado em Estudos de Comunicação. Apaixonado por rock and roll, conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

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