Morar fora: quando a brincadeira pode não acabar bem

Morar Fora
Foto: Pixabay

Quando partimos para morar fora, estamos inundados por sentimentos distintos. Um lado do nosso coração está apreensivo, cheio de ansiedade e quase maluco aguardando o recomeço. Porém, o outro lado está cheio de receio, já sente alguma saudade e morre de medo de que tudo dê errado.

Aí aparece o nosso cérebro, já quase na hora de dormir, que insiste em nos fazer perguntas fáceis, mas que exigem respostas quase impossíveis. Isso tudo antes mesmo da partida. Somos um mar de dúvidas, receios, angústias, dormimos mal. Somos praticamente uma bomba relógio armada.

E, se de um lado estamos quase explodindo de ansiedade, do outro estamos apavorados. Porém, geralmente a ansiedade vence a batalha e, sendo assim, deixamos o medo pra lá e seguimos em frente. Partimos.





Morar fora não é estar de férias

Entretanto, um dos maiores erros que cometemos na chegada é demorarmos para entender que, quando vamos morar fora, nós não estamos de férias. Mas, nem sempre o nosso cérebro percebe isso rapidamente e os motivos não faltam.

Especialmente no começo quando recebemos visitas, por exemplo. As pessoas se organizam e “nos incluem” em suas férias, querem nos ver e matar a saudade. Normal. São os amigos, parentes, vizinhos, compadres que sentem a nossa falta e nos querem por perto.

Então a gente dá um stop na nossa vida e claro, entra nas férias das pessoas por osmose. Nossa eterna facilidade em postergar as coisas envia ao nosso cérebro um recado que diz mais ou menos assim: “aproveita agora, depois tu resolve as mil coisas importantes que tu precisa”. E fazemos isso.

Porém, ainda que receber visitas seja sensacional, a nossa cabeça começa a assimilar que estamos de férias. Claro, agora nós moramos onde as pessoas passam férias e isso é facilmente incorporado pela gente.

E aí as pessoas voltam e nós continuamos aqui, “de férias”. Não é maravilhoso isso? NÃO, NÃO É! Não é porque a vida aqui fora exige muito da gente. Exige que sejamos fortes, que tenhamos garra, que não devemos amolecer na primeira fervura. Morar fora é puxado, estar de férias não.

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Morar fora: excesso de ontem, excesso de hoje e excesso de amanhã.

O tempo passa na velocidade da luz

Demoramos para engrenar a vida e o tempo, impiedoso, vai passando na velocidade da luz. A falta de foco, a dificuldade de concentração, a demora em cortar os laços com a nossa antiga fase da vida são grandes pedras no nosso caminho aqui fora. Precisamos, com urgência, tomar providências.

E as providências começam a ser tomadas quando a grana aperta ou quando a conversão come metade do dinheiro. O aluguel é em euro, mas a receita é em real. O curso de inglês é em libras, mas a poupança em real. O dólar nas alturas nos preocupa e a descapitalização vem rapidinho. A maionese começa a azedar e a gente nem se deu conta ainda.

Aí cai a ficha que não estamos de férias e que, ainda que estejamos morando num lugar paradisíaco e que ganhou dezenas de prêmios como melhor destino de turismo, nós não somos turistas. Nós não estamos aqui de brincadeira e não, morar fora não é para quem quer ficar de férias eternamente.

Morar fora: cidadão do mundo e de lugar nenhum.

Superação ou sofrimento?

Morar fora é subir no ringue para lutar contra a saudade, para levar porrada do orgulho, ver o ego ser massacrado até o nocaute. Quanto mais tempo você levar para entender que não está de férias, maior será o seu sofrimento. Um sofrimento digno de quem não entendeu porra nenhuma do que é morar fora.

E, com todo o respeito, me responda duas coisas: você foi morar fora para continuar sendo a mesma pessoa? Você saiu do seu país, deixou sua família para trás, se despediu dos amigos, pegou toda a sua poupança para continuar tendo a mesma vida que tinha? Me desculpa a sinceridade, mas se você respondeu sim para uma das duas perguntas, você ainda vai (e precisa) se ferrar muito aqui fora. MUITO.

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Meta uma coisa na sua cabeça: VOCÊ NÃO ESTÁ DE FÉRIAS. Agora repita isso 1000 vezes e entenda, de uma vez por todas que você mora fora e não está aqui a passeio. Pode acreditar em mim, morar fora é uma coisa, passear num outro país é outra coisa totalmente diferente.

E se você não quiser aceitar isso, sem problemas. Escrevo o texto com a melhor das intenções e a principal delas é para alertar que a “brincadeira” de morar fora pode não acabar bem para você que não entendeu o que está fazendo aqui. E sabe qual o principal motivo disso? Porque morar fora pode ser tudo, menos brincadeira.

Leia também: Morar fora: quando os novos ares não ajudam?

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Cláudio Abdo

Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação, faz Doutorado em Estudos de Comunicação. Apaixonado por rock and roll, conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

Um comentário em “Morar fora: quando a brincadeira pode não acabar bem

  • 22 de janeiro de 2020 em 10:52 am
    Permalink

    Olá,
    Achei super interessante o seu post! Nos faz realmente repensar muitas coisas..
    Seu final ficou excelente, tanto que ouso dizer que poderia ter continuado mais uns 2 parágrafos hehe para “concluir” a ideia!
    Mas sigo o blog e leio sempre!
    Obrigada por compartilhar.
    Pietra

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