Como lidar com o luto vivendo no exterior

luto vivendo no exterior
Foto: Dolce Morumbi.

As partidas e chegadas integram o ciclo da vida e devemos nos preparar. Saiba como lidar com o luto vivendo no exterior.

Não há nada tão devastador quanto vivenciarmos o luto de alguém que amamos. Nos sentimos sem chão, parece que tudo deixa de fazer sentido e a tristeza inunda nossos corações. Todos nós estamos vivendo um ciclo imensamente especial, repleto de oportunidades de crescimento, chances de evolução e formas de nos tornarmos ainda melhores. Cada um no seu tempo, mas todos os relógios estão em um ritmo decrescente, nos informando que talvez não haja um amanhã e que precisamos viver o hoje.


Como lidar com o luto vivendo no exterior

O luto é meu objetivo de estudo desde a faculdade em Psicologia, meu trabalho de conclusão de curso foi sobre o processo de enlutamento, depois aprofundei as pesquisas em meu Mestrado em Psicogerontologia e agora no meu Doutorado, na Universidade do Porto, estudando sobre os benefícios emocionais e físicos que a morte do cônjuge pode nos proporcionar.

Aprendemos a lidar com as perdas desde pequenos, quando perdemos um amigo, um animalzinho de estimação, um objetivo o qual gostamos muito, dinheiro e até mesmo circunstâncias as quais nos sentimos seguros. Todas essas experiências nos preparam para lidar com as grandes partidas, com dores as quais não podemos dimensionar, com aquela a qual não podemos negociar, a morte. 

Muitos estudiosos do luto e da morte preconizam que cada pessoa vive o luto à sua maneira, alguns levarão um pouco mais de tempo para ressignificar a dor do que outros e isso não é um problema, só precisamos entender o que estamos vivendo e sentindo.

Morar fora: quando perdemos alguém.

Viva seus sentimentos e emoções

A maior e melhor orientação é, viva seus sentimentos e emoções, abra espaço para refletir, entrar em contato com a realidade, encontre um lugar seguro para viver sua fragilidade e por favor, não tente se fazer de forte, isso não é necessário. 

Vivenciar o luto morando no exterior pode ser um desafio, principalmente se o motivo da nossa perda está do outro lado do oceano. A depender de onde estejamos vivendo é possível voltar para casa rapidamente, mas na grande maioria das vezes não e isso pode ser um potencializador do sofrimento emocional.

Uma forma de encararmos essa realidade é trazermos para nossa consciência tudo aquilo o que tivemos a chance de fazer, não há espaço para culpas ou julgamentos, apenas para acolhimento e amor. 

Leia também: Não se cobre tanto, aprenda a se respeitar.

Luto vivendo no exterior

Estar longe de casa pode nos trazer culpas e pensamentos do tipo; “se eu estivesse lá nada isso não teria acontecido…”, “isso só aconteceu porque estou longe de casa…”, “porque não fiz nada diferente para que essa realidade fosse outra…”. São tantos pensamentos que podemos nos perder em meio a todos eles.

Devemos trazer a nossa mente para o momento presente e compreender que amamos, cuidamos, nos importamos e vivemos como pudemos, sem mais ou menos, mas da forma que conseguimos.

Algumas pessoas conseguem viver o luto antecipatório, ou seja, acompanhamos o processo de adoecimento da pessoa que amamos e ao longo dessa jornada podemos ir nos preparando para a partida, reorganizando a vida, assumindo algumas responsabilidades, reordenando prioridades e uma das coisas mais especiais, antes da partida podemos ter a chance de expressar os nossos sentimentos mais genuínos e verdadeiros. 

Morar fora: excesso de ontem, excesso de hoje e excesso de amanhã.

Deixar ir também é uma das maiores demonstrações de amor que existem

Se você está vivendo um luto neste momento e não pôde estar com o motivo da sua dor, gostaria que você se sentisse abraçado neste momento. Sei que não existem palavras que sejam suficientes para fazer com que você se sinta menos devastado, mas nunca esqueça que só partimos deste mundo quando a nossa missão acaba, quando cumprimos nosso propósito e quando estabelecemos o nosso legado.

Nossa incompreensão sobre a finitude nos motiva a desejarmos as pessoas para sempre, mas deixar ir também é uma das maiores demonstrações de amor que existem nesta vida.  

Não estar presente durante o sepultamento da pessoa que amamos é muito doloroso, mas gostaria que você soubesse que algumas coisas excedem a nossa compreensão sobre o mundo material.

A conexão espiritual, afetiva e energética é extremamente poderosa, e não importa onde estejamos, o motivo do nosso processo de enlutamento possui uma ligação direta com o seu coração e essa realidade pode te trazer paz, a distância física foi rompida e agora se manterá a única união que verdadeiramente importa, entre almas. 

Não há como vivenciar esse momento sem sofrimento, mas gostaria que você entendesse que todas as partidas nos ensinam o valor das chegadas e isso significa que devemos ser gratos pelo hoje e vivenciá-lo da melhor forma que pudermos, afinal de contas, não sabemos em que estação vamos descer neste trem da vida. 

Também pode te interessar: Morar fora: a vida é um trem bala.

*Caso você deseje me acompanhar pelas redes sociais, sugerir novos conteúdos e conferir mais dicas como essas, acesse o meu Instagram. Fale comigo também pelo WhatsApp.

*Ouça também o novo episódio do Podcast Partiu Morar Fora com Amanda Corrêa e Vitor Luz, disponível no Spotify e em diversas plataformas de streaming:

Vitor Luz

Vitor Luz possui formação em Jornalismo e Psicologia e ao longo da sua trajetória profissional pode se dedicar a busca de novos conhecimentos e fez uma formação em Inner Vision, Programação Neurolinguística – PNL e Certificação Internacional em Master Coaching Mentoring e Holomentoring – ISOR. Atualmente mora na cidade do Porto em Portugal para fazer um Mestrado em Psicologia, na área da Psicogerontologia. Enquanto Psicólogo Nômade Digital realiza atendimento online para brasileiros espalhados pelo mundo, os auxiliando a lidar com a saudade, medo, solidão, desilusões amorosas, relacionamentos afetivos e transição de carreira.

blank

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *