Trabalhar com construção em Portugal: faltam 80 mil trabalhadores

trabalhar com construção em Portugal
Foto: Freepik – gpointstudio.

Falta de mão de obra qualificada estrangula o mercado e sobram vagas para trabalhar com construção em Portugal. Saiba mais!

Existem muitas oportunidades para trabalhar com construção em Portugal. Isso porque o país europeu não consegue formar e muito menos reter mão de obra para atuar no setor. Estimativas do Sindicato da Construção de Portugal apontam que existem pelo menos 80 mil vagas para trabalhadores qualificados para serem preenchidas.


Trabalhar com construção em Portugal

O tema suscita opiniões e perspectivas quase sempre radicais e insatisfeitas por parte dos trabalhadores. Seja por conta dos salários pouco atraentes no setor da construção civil em Portugal, especialmente quando comparados com países como Alemanha, Luxemburgo, Bélgica, França e até o Reino Unido ou até pela forma como empresas e seus proprietários se relacionam com os empregados da construção.

Porém, é fato que o setor de construção civil de Portugal vive uma constante crise de falta de trabalhadores e mão de obra especializada. De acordo com o Sindicato da Construção de Portugal, faltam pelo menos 80 mil trabalhadores qualificados, principalmente carpinteiros, eletricistas e encarregados de obra.

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Falta de mão de obra

O alerta feito pelo Sindicato da Construção de Portugal prevê ainda que se todas as obras públicas que estão previstas fossem iniciar, não haveriam trabalhadores suficientes. Seja o Metrô do Porto, os novos hospitais e até mesmo o Aeroporto do Montijo, a falta de profissionais qualificados para trabalhar com construção em Portugal impossibilitam o avanço das obras.

Estimativas dão conta de que somente para a construção de toda a infraestrutura do Aeroporto do Montijo, são necessários 10 mil trabalhadores e Portugal não tem esse quadro.

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Pandemia agravou a falta de trabalhadores no setor

Porém, se de um lado estão os trabalhadores insatisfeitos, do outro lado estão os proprietários de empresas do ramo no país. Segundo a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), em março de 2020 (no começo da pandemia) faltavam 70 mil pessoas para trabalhar com construção em Portugal.

Praticamente um ano depois, a dificuldade em preencher os quadros das empresas com profissionais qualificados da área da construção civil em Portugal continua. Ainda se acordo com a AICCOPN, numa pesquisa recente 65% dos empresários da construção civil no país apontam a falta de profissionais como maior dificuldade do setor.

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Trabalhar com construção em Portugal: formação profissional e foco em quem foi embora

Reforçar a mão de obra especializada para quem vai trabalhar com construção em Portugal é fundamental. Aliás, para a AICCOPN, formar e qualificar profissionais é uma questão decisiva e fundamental para o setor. Por outro lado, como em outros países europeus os salários pagos para os profissionais qualificados da construção civil é muito mais alto do que em Portugal, o resultado é uma saída constante de pessoas do país.

Estimativas da AICCOPN mostram que pelo menos 300 mil cidadãos portugueses emigraram para trabalhar na construção civil. Os profissionais estão trabalhando principalmente no Reino Unido, França, Alemanha e Luxemburgo. Para os líderes do setor, a falta de pessoas para trabalhar com construção em Portugal seria minimizada e até resolvida se os salários fossem equiparados com a realidade de outros países da União Europeia.

Muito profissionais portugueses que atuam nos outros países, passam a semana fora e retornam aos fins de semana. Os salários médios pagos fora de Portugal são de € 2.400 (dois mil e quatrocentos euros), porém para a AICCOPN se em Portugal os trabalhadores da construção civil de primeira linha recebessem no mínimo € 900 (novecentos euros), a situação se reverteria facilmente. O que não acontece hoje.

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Foco na formação

Os valores em relação aos salários divergem. Para o Ministério do Trabalho de Portugal, dados recolhidos em julho de 2020 mostravam que, em média, os trabalhadores da construção civil recebiam € 1.010 (mil e dez euros) por mês. Mas, para a AICCOPN isso não se confirma e a organização acredita que ao menos 40% dos trabalhadores do setor recebam apenas um salário mínimo (€ 665,00).

Com a dificuldade e falta de mão de obra, para os proprietários das empresas se torna prioritário investir em formação profissional. Para os líderes do setor de construção, os centros de formação não cumpriram seu papel nos últimos anos e agora é urgente que o governo faça uma intervenção para promover a formação de trabalhadores.

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Construções com qualidade comprometida

Para a AICCOPN, é fundamental promover cursos voltados para a especialização em tecnologia, principalmente os que são direcionados para a sustentabilidade. Além disso, uma preocupação é que uma grande parte das obras estão sendo construídas por trabalhadores sem qualificação e muitos deles vieram da agricultura ou são imigrantes sem formação.

Fonte: Diário de Notícias.

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Cláudio Abdo

Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação e Doutor em Estudos de Comunicação, é apaixonado por rock and roll e conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

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