Principais destinos das empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT

empresas que deixaram o Reino Unido após o Brexit
Foto: DACHSER Portugal.

Veja quais foram os destinos preferidos das empresas que deixaram o Reino Unido após a saída do país da União Europeia.

Um relatório apresentado pelo think tank New Financial destaca os danos que o BREXIT já causou para a cidade de Londres e para o Reino Unido em geral. O documento aponta que mais de 440 empresas bancárias e financeiras mudaram ou estão transferindo parte de seus negócios, funcionários, ativos ou entidades legais do Reino Unido para países da União Europeia.


Empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT

Por quase cinco anos, o BREXIT pairou sobre o Reino Unido, em especial na cidade de Londres onde estavam instaladas as principais empresas e a indústria de serviços financeiros europeia. Enquanto os políticos britânicos estão travados em uma discussão circular, os centros financeiros rivais na Europa se apressam para buscar, atrair e conquistar negócios do Reino Unido.

Com isso, muitas empresas bancárias e financeiras estão silenciosamente preparando-se para isso. Agora que o Reino Unido deixou a União Europeia oficialmente, a cidade de Londres e toda a economia do Reino Unido sentem o amargo nos resultados financeiros. O relatório apresentado traz um boa ideia do impacto do BREXIT no setor bancário e financeiro no Reino Unido e dos centros financeiros emergentes em toda a União Europeia.

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Da perspectiva do Reino Unido, a má notícia é que o relatório apresentado identifica mais de 440 empresas de serviços financeiros no Reino Unido que responderam ao BREXIT de alguma forma. Seja realocando parte de seus negócios, funcionários ou entidades legais para da União Europeia. O documento aponta que mais de £ 900 bilhões em ativos bancários (cerca de 10% de todo o sistema bancário do Reino Unido) foram ou estão sendo transferidos.

E se o cenário parece difícil, ele ainda pode ser muito pior. O relatório do think tank New Financial aponta que esta análise é quase certamente subestimada em relação ao quadro real. Isso porque os responsáveis pela pesquisa acreditam que muitas empresas escaparam do radar, principalmente bancos e gestores de ativos que já têm sede na União Europeia.

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Por enquanto o Reino Unido perde e a União Europeia ganha

Chegar ao BREXIT foi apenas o fim do início do processo. Isso porque os acordos de equivalência entre União Europeia e Reino Unido em vigor são limitados. Dessa maneira, com o tempo é provável que haja um fluxo contínuo de saída de negócios e atividades do Reino Unido para a União Europeia, até porque a União Europeia está assumindo uma posição mais dura quanto à localização da atividade e aos britânicos.

Para os países da União Europeia a “boa” notícia é que a extensão dessa atividade de relocação significa que a maioria das empresas no Reino Unido que precisam de acesso contínuo a clientes e mercados na Europa agora o tem. Porém, para o Reino Unido talvez seja uma oportunidade de encontrar estratégias e tratar o BREXIT como um custo irrecuperável, mas além disso ampliar o debate e tentar mais acesso aos mercados da União Europeia.

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Sobre o relatório das empresas que deixaram o Reino Unido

O relatório mostra os principais destinos das empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT, mas também responde questões importantes. O documento traz informações relevantes sobre como as empresas em diferentes setores da indústria bancária e financeira no Reino Unido e na União Europeia responderam ao Brexit.

Além disso, consegue apontar quais centros financeiros da União Europeia se beneficiaram mais com as realocações relacionadas ao BREXIT, qual é a escala das realocações relacionadas à saída do Reino Unido da União Europeia em termos de pessoal, negócios, ativos e fundos, como é o cenário pós-BREXIT para os serviços financeiros e as consequências potenciais de longo prazo dessas mudanças.

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Centenas de empresas deixaram o Reino Unido após o BREXIT

O relatório aponta que mais de 440 empresas no setor bancário e financeiro no Reino Unido responderam ao BREXIT realocando parte de seus negócios, mudando alguns funcionários ou criando novas entidades na União Europeia. Mais de 420 destas empresas estão criando novos centros para seus negócios em países da União Europeia e, ao todo, foram identificadas mais de 500 mudanças distintas em todo o bloco.

Os bancos transferiram ou estão transferindo mais de £ 900 bilhões em ativos do Reino Unido para a União Europeia, e as seguradoras e gestores de ativos transferiram mais de £ 100 bilhões em ativos e fundos.

Movimento crescente de saída das empresas

O New Financial publicou um primeiro relatório em março de 2019 sobre os impactos do BREXIT. Na época, foram identificadas 269 empresas que haviam realocado algo. Desde então, outras 170 empresas do setor bancário e financeiro foram identificadas movendo algo devido ao BREXIT.

Principais destinos das empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT

A capital da Irlanda, Dublin, emergiu como a vencedora em termos de atração de negócios do Reino Unido, com 135 empresas escolhendo a capital irlandesa como um local pós-BREXIT. Isso significa que 25% de todas as empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT optaram por Dublin para continuar seus negócios na União Europeia.

Em segundo lugar aparece a capital francesa Paris com 102 empresas, Luxemburgo com 93, Frankfurt com 62 e Amsterdã com 48. No longo prazo, os dados do relatório apontam que a cidade alemã de Frankfurt será a vencedora em termos de ativos, e Paris em termos de empregos.

Diferentes centros financeiros europeus beneficiados

O relatório apresentado também mostra um mundo multipolar. Isso porque nenhum centro financeiro único dominou as realocações das empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT. Muitas empresas dividiram deliberadamente seus negócios e escolheram cidades separadas como hubs para diferentes divisões, e foram identificadas quase 70 empresas que estão se expandindo em outras cidades da União Europeia.

Os responsáveis pela publicação do documento dizem ainda que esta redistribuição de atividades em toda a União Europeia atrasou o relógio em cerca de 20 anos. Além disso, diferentes centros financeiros têm atraído diferentes empresas com base em seu setor de atividade. Por exemplo, um terço de todas as empresas de gestão de ativos que mudaram algo como resultado do BREXIT escolheu Dublin.

60% das empresas que escolheram Frankfurt como a sua principal base na União Europeia são bancos e quase dois terços das empresas que se mudam para Amsterdã são plataformas de negociação, bolsas ou corretoras.

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Empregos na Europa e escala de negócios

Foram identificados no relatório cerca de 7.400 mudanças de pessoal ou contratações locais em resposta ao BREXIT, mas isso é derivado de apenas uma pequena minoria de empresas. Os responsáveis pela publicação do relatório esperam que esse número aumente nos próximos anos e que o maior problema não é a saída de empregos do Reino Unido, mas a criação de novos empregos na União Europeia que, de outra forma, poderiam ter sido criados no Reino Unido.

A escala dos negócios, ativos e fundos sendo transferidos do Reino Unido é muito mais significativa. Apenas um pequeno número de empresas disse o que está movendo e mesmo assim os números são impressionantes: £ 900 bilhões em ativos bancários é cerca de 10% do sistema bancário do Reino Unido. A contagem final provavelmente será mais alta, o que reduzirá a base tributária do Reino Unido, a influência da supervisão e, em última análise, terá um impacto sobre os empregos.

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Via de mão dupla

As empresas que deixaram o Reino Unido após o BREXIT trilharão uma via de mão dupla. Isso porque nos próximos anos, muitas empresas da União Europeia deverão abrir um novo escritório no Reino Unido e uma análise dos dados do relatório mostra que mais da metade das empresas da União Europeia que usam o atual regime de permissões temporárias para acessar o mercado do Reino Unido já estão presentes no país.

Muitas das que não o fazem são empresas menores que podem decidir que não vale a pena. Sendo assim, os responsáveis pelo documento publicado dizem acreditar que um resultado provável é que cerca de 300 a 500, principalmente empresas menores, possam abrir um escritório no Reino Unido, muito menos do que as previsões predominantes de cerca de 1.000.

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Perda de influência nos negócios e impacto em Londres

A mudança nos negócios, ativos e entidades legais irá gradualmente diminuir a influência do Reino Unido no setor bancário e financeiro na Europa e em todo o mundo, à medida que uma proporção maior de negócios é autorizada e conduzida na União Europeia.

Também poderia reduzir significativamente o superávit comercial de £ 26 bilhões do Reino Unido em serviços financeiros com a União Europeia, uma vez que os serviços que antes eram exportados do Reino Unido são fornecidos localmente. Sendo assim, não há dúvida de que Londres continuará sendo um centro financeiro dominante na Europa no futuro.

As empresas desejam manter o máximo possível de seus negócios em Londres e até mesmo as maiores realocações representam no máximo 10% (até o momento) do quadro de funcionários de empresas individuais. No entanto, com o tempo, outras cidades europeias irão se distanciar da liderança de Londres.

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Sobre a metodologia da pesquisa utilizada no relatório

O relatório apresentado se concentra no número de empresas no Reino Unido que responderam ao BREXIT transferindo parte de suas operações, funcionários, entidades legais e ativos para a União Europeia. A abordagem foi assim escolhida porque, na maioria dos casos, as informações são mais precisas, consistentes e comparáveis ​​do que as estimativas totalmente divergentes de movimentações de trabalho e ativos.

A New Financial afirma ter utilizado uma combinação de registros regulatórios, relatórios da mídia, outros relatórios de pesquisa sobre o impacto do BREXIT e informações de agências de desenvolvimento e órgãos governamentais para construir uma imagem o mais abrangente possível do impacto da saída do Reino Unido da União Europeia.

Cláudio Abdo

Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação e Doutor em Estudos de Comunicação, é apaixonado por rock and roll e conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

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