BREXIT: Londres deixa de ser o principal centro de negociação de ações na Europa

negociacao de acoes na Europa
Foto: El Blog de CaixaBank.

Maior parte das ações na Europa não são mais negociadas na capital inglesa. Veja quais as mudanças.

Amsterdã ultrapassou Londres como o maior centro financeiro de comércio de ações na Europa em janeiro de 2021. Os principais motivos apontados se relacionam com a entrada em vigor das alterações relacionadas ao BREXIT e as novas regras financeiras em vigor no Reino Unido a partir do último dia 31 de dezembro de 2020.


Principal centro de negociação de ações na Europa mudou de endereço

No mês de janeiro de 2021, cerca de € 9,2 bilhões (£8,1 bilhões) em ações foram negociadas nas bolsas de Amsterdã todos os dias. Já em Londres, o montante diário negociado ficou nos € 8,6 bilhões e isso é reflexo do BREXIT. Por conta das novas regras que entraram em vigor após a saída do Reino Unido da União Europeia (BREXIT), os bancos sediados na União Europeia que desejam comprar ações europeias atualmente não podem negociar via Londres, o que significa uma perda de taxas para as empresas da cidade.

Entretanto, o diretor do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, alertou a União Europeia para não isolar Londres. Em entrevista concedida à BBC, Bailey afirmou que haviam sinais de que a União Europeia planejava isolar o Reino Unido de seus mercados financeiros. Porém, seguindo a entrada em vigor das novas regras de negociação do BREXIT, há conversas para harmonizar as regras sobre os regulamentos financeiros – a chamada equivalência.

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Regime de equivalência

Tanto o Reino Unido quanto a União Europeia ainda estão trabalhando duro para chegar a um acordo sobre um regime de equivalência até o próximo mês, março. Em termos práticos, o regime de equivalência serve para que os dois lados (Reino Unido e Europa) reconheçam os regulamentos financeiros um do outro.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que permanece aberto para o debate com a União Europeia e quer resolver a questão da equivalência. Boris Johnson afirmou que o Reino Unido já forneceu todas as informações solicitadas pela União Europeia, porém a equivalência total ainda não ocorreu.

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Ações na Europa deixaram de ser negociadas no Reino Unido

Como o regime de equivalência ainda não foi totalmente acertado, algumas ações da União Europeia que eram anteriormente negociadas em locais do Reino Unido foram transferidas para outros locais da União Europeia, por recomendação do regulador europeu. Porém, para Boris Johnson uma fragmentação da negociação de ações na Europa entre centros financeiros não se mostra como um caminho interessante.

Conhecido por comércio invisível, a venda de serviços financeiros ao exterior é um mercado em que o Reino Unido se destaca, especialmente no setor bancário. Os serviços financeiros representam cerca de 7% da receita total do Reino Unido e cerca de 40% dos negócios bancários e de investimento no exterior são com a União Europeia.

Mas suas necessidades eram praticamente invisíveis desde o acordo fechado com a União Europeia no final de 2020. O desvio da negociação de ações é o primeiro sinal visível, embora inevitável, do impacto do BREXIT na economia britânica.

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Risco das ações na Europa não voltarem a ser negociadas em Londres

Apesar dos esforços políticos dos líderes britânicos, é fato que as ações na Europa podem não voltar a ser negociadas em Londres. Mesmo que o governo do Reino Unido e Bruxelas possam chegar a um acordo de que os serviços financeiros podem ter mais acesso aos mercados uns dos outros, com base nos padrões do Reino Unido podem ser considerados equivalentes aos da União Europeia, a negociação de ações pode não fazer parte do trato.

O diretor de uma bolsa de ações informou que recentemente havia fechado um acordo que permitia que as ações da Suíça sejam negociadas em Londres. Porém, é possível que mesmo com esse acordo, não haja uma compensação no que foi perdido no rompimento dos laços com a Europa.

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Renda perdida

Ainda para Bailey, diretor do Banco da Inglaterra, Londres quer chegar a um acordo sobre as (novas) regras financeiras, mas não aceita que as regras sejam ditadas por Bruxelas. Para Bailey, as demandas solicitadas pela União Europeia até agora não eram razoáveis e a tentativa do bloco em isolar o Reino Unido é um grande erro.

Para o diretor, os argumentos utilizados na negociação seguem os padrões globais relacionados aos mercados. Dessa maneira, se os dois lados concordam com isso, seria um erro a União Europeia caminhar para tentar isolar o Reino Unido. Os serviços financeiros são, sem dúvida, um dos principais impulsionadores da economia do Reino Unido, porém foram ‘esquecidos’ durante a negociação do acordo que foi fechado, de última hora, em dezembro de 2020.

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Poder de Londres ameaçado por conta das ações na Europa

Anualmente a cidade de Londres negocia cerca de £ 135 bilhões. O valor é alcançado com instituições financeiras ganhando altas taxas de negociação em ações. Porém, o centro financeiro de Londres está isolado dos mercados da União Europeia desde 1º de janeiro de 2021 e isso está gerando perdas bilionárias.

Contudo, Bruxelas diz que não tomará decisões precipitadas sobre a concessão de acesso a empresas financeiras do Reino Unido, já que quer ver até que ponto as regras do Reino Unido divergem das suas. Desse modo, segue-se o temor de que o Reino Unido adote um modelo de baixa regulamentação ao estilo de Cingapura e isso prejudicaria a União Europeia.

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Batalha de gigantes e empregos no Reino Unido

Encontrar uma caminho justo parece ser o mais adequado. Porém, para o diretor do Banco da Inglaterra, a União Europeia está exigindo do Reino Unido padrões irrealisticamente elevados sobre a questão da divergência, fazendo crer que isso faria de Londres a ditadora das regras. Todavia, Bailey acredita que embora algumas regras do Reino Unido tenham mudado com o BREXIT, a desregulamentação do mercado de ações na Europa repentina não estava contemplado.

Bailey se apressa ao dizer que o Reino Unido não deve e nem pretende criar um centro e sistema financeiro de baixa regulamentação, alto risco e vale tudo. O diretor do Banco da Inglaterra diz que são grandes as evidências de que tal abordagem não é do interesse das autoridades britânicas e nem dos investidores.

Apesar da situação atual, Bailey afirma que Londres sem dúvida continuará como um dos principais centros financeiros do mundo, senão o líder. Em relação aos empregos no Reino Unido, ainda que pelo menos 7 mil trabalhadores do mercado financeiro tenham se mudado de Londres para centros rivais na União Europeia, o número é muito menor do que as previsões diziam, algo em torno de 50 mil perdas.

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Cláudio Abdo

Cláudio é brasileiro e mora em Portugal desde 2014. Mestre em Ciências da Comunicação, faz Doutorado em Estudos de Comunicação. Apaixonado por rock and roll, conheceu o beatle Paul McCartney pessoalmente. Sempre com uma boa história na ponta da língua, escrever é uma de suas paixões. Cláudio é autor do livro “Morar fora: sentimentos de quem decidiu partir”.

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